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Correio Braziliense

'Foi importante para eu não enlouquecer', diz Baco Exu do Blues sobre EP

Num trabalho antenado com o momento atual, rapper baiano Baco Exu do Blues fala de isolamento e critica racismo


postado em 07/04/2020 04:37 / atualizado em 07/04/2020 12:11

Baco Exu do Blues percorre extremos sonoros e explora o período de isolamento(foto: Wilmore Oliveira/Divulgação)
Baco Exu do Blues percorre extremos sonoros e explora o período de isolamento (foto: Wilmore Oliveira/Divulgação)
Diante da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, a cena musical optou por formas alternativas de manter os trabalhos em voga, que vão desde shows on-lines até lançamentos de singles e discos. Cumprindo quarentena em casa, o rapper baiano Baco Exu do Blues lançou o EP Não tem Bacanal na quarentena, que faz menção ao próximo álbum do cantor, Bacanal. Com produção do rapper e da 999, Guile Farias assinando a capa, mixado por Dactes e Baco supervisionando tudo, o EP chegou às plataformas digitais em 30 de março.

Feito em três dias, Não tem Bacanal na quarentena conta com 9 faixas. O artista escolheu temas atuais para inspirar a produção: questões sociais, coronavírus e racismo. Baco transmite pela música o cotidiano e as aflições desse período de isolamento. “Quis passar um aviso para que as pessoas ouçam música sobre esse momento. O plano era soltar Bacanal neste mês, e, acabou que com tudo que aconteceu, a gente preferiu não soltar o disco. Para não ficar sem fazer nada, montamos um home estúdio aqui em casa”, conta Baco Exu do Blues em entrevista ao Correio.

“Esse trabalho significa que consigo fazer música boa em muito pouco tempo, e eu acho que soou como um alívio, acho que foi importante para eu não enlouquecer, eu enlouqueci várias vezes por outras coisas, mas, neste momento, pelo meu histórico de tudo, esse trabalho ajudou a me ocupar fazendo música, e vou continuar fazendo música na quarentena”, completa.

Neste EP, ficam claras as críticas diretas ao governo e o posicionamento de Baco Exu do Blues em relação a questões que assolam a realidade brasileira, além dos dramas pessoais dele. Áudios de periferias do Brasil narrando a situação do isolamento em decorrência da Covid-19 e gravações de panelaços contra o atual governo foram algumas das escolhas do álbum. Baco, mais uma vez, abre o coração e descarrega sentimentos próprios na faixa Tudo vai dar certo. “Acho que procuro fazer as pessoas se identificarem e entenderem minha música. É importante para mim, essa é a minha forma interativa de falar o que eu sinto sem filtro”, pontua o rapper.

Mesmo sendo um EP grande, em comparação aos da indústria musical, Baco não intitula o trabalho de álbum. “Quando faço álbuns, faço conceitos e conceitos visuais mais extensos. Tenho trabalhado da forma mais coesa possível para fazer uma obra que tudo fale sobre ela, desde a foto da capa a divulgação. Não tem Bacanal na quarentena foi uma coisa mais simples e muito rápida. Acho que a ligação é por causa do momento (isolamento e pandemia), se não fosse o momento e eu fizesse música dessa forma, provavelmente, nenhuma música teria nada a haver uma com a outra”, afirma.

Racismo


O racismo e as consequências são temáticas constantes no trabalho do rapper. Com torcida declarada para Babu Santana, participante do Big Brother Brasil 2020, o rapper dedicou uma das faixas do EP para o ator, Tropa do Babu. Cotado para ser um dos finalistas do reality, Babu enfrentou algumas situações racistas no programa por parte dos outros confinados. “Acho que o Babu deixa claro o quanto o Brasil é um país racista, do tipo que a gente vê o racismo sendo reproduzido escancaradamente na tela e as pessoas fingindo que não está acontecendo”, lamenta o artista.

“O Brasil é um país racista e é só ver o presidente que está no poder e pronto. A gente vive uma país racista, então, é muito fácil a galera ver um preto sendo ridicularizado ou sendo tratado como monstro, por fazer a mesma coisa que um cara branco faz e as pessoas passarem a mão na cabeça desse cara. É exatamente o que acontece o tempo todo, dois pesos duas medidas, negros e brancos cometem os mesmos crimes e as penas são diferentes, é complicado”, critica o baiano.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

Capa do novo trabalho do artista(foto: Arquivo pessoal/ Divulgação)
Capa do novo trabalho do artista (foto: Arquivo pessoal/ Divulgação)



Não tem Bacanal na quarentena
De Baco Exu do Blues. Pela 999. 9 faixas. Disponível em todas as plataformas digitais.

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