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Correio Braziliense

Samba da maior idade: Casuarina está com CD novo

O Casuarina surgiu da reunião de amigos em rodas de samba na Lapa, no Rio. Com 18 anos de existência, lançam novo CD


postado em 09/04/2020 04:07 / atualizado em 09/04/2020 11:48

O Casuarina surgiu da reunião de amigos em rodas de samba na Lapa, no Rio(foto: Leo Aversa/Divulgação)
O Casuarina surgiu da reunião de amigos em rodas de samba na Lapa, no Rio (foto: Leo Aversa/Divulgação)
Tradicional bairro boêmio localizado no centro do Rio de Janeiro, a Lapa marcou época por ser o reduto de sambistas famosos, da estirpe de Noel Rosa, e malandros históricos, como o lendário Madame Satã.

Depois de viver longo período de decadência, a partir dos anos 2000 passou por um processo de revitalização cultural, para o qual teve como os principais responsáveis cantores e grupos de sambas que ocuparam palcos de casas noturnas como Arco da Velha, Carioca da Gema, Semente, Rio Scenarium, além do Clube Democráticos, do Circo Voador e da Fundição Progresso.

Um dos grupos, o Casuarina comemora 18 anos em 2020. Para celebrar a data, Gabriel Azevedo (voz e pandeiro), Daniel Montes (violão), João Fernando (bandolim) e Rafael Freire (cavaquinho) lançam um disco gravado no Cento Cultural Carioca, centenário prédio, nas imediações da Lapa.
 
O álbum traz 10 faixas, entre elas Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes), Disritmia (Martinho da Vila), pinçados dos primeiros discos do grupo; assim como Certidão, de João Cavalcanti, ex-integrante do grupo.

Músicas inéditas, como Um samba de saudade (Chico Alves e Toninho Geraes) e Falangeiro de Ogum (Leandro Fragonesi e Raul Di Caprio), também foram incorporadas ao repertório do Casuarina 18 anos — Ao vivo. Todas as faixas, interpretados por Gabriel Azevedo, ganharão clipes.

Com, oito discos e dois DVDs lançados, o Casuarina tem se apresentado por capitais brasileiras e no exterior. Em Brasília, onde já estiveram várias vezes, e o primeiro show — ainda no começo da carreira — foi no Feitiço Mineiro. Em 2017, recebeu troféu na categoria de melhor grupo de samba, na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira.

Entrevista // Gabriel Azevedo e Daniel Montes


Que avaliação faz dos 18 anos do Casuarina?

Gabriel Azevedo: Foram 18 anos de muito trabalho, dedicação ao samba. Passamos grandes momentos juntos, conhecemos muitos lugares mundo a fora, tendo sempre o prazer de representar nossa cultura. Não podemos reclamar de nada.

O grupo deu importante contribuição para a revitalização da Lapa. Por outro lado, acredita que a atuação nas casas noturnas do bairro os ajudaram na inserção na cena musical carioca e do país?
Gabriel Azevedo: A Lapa é uma grife, se tornou uma bandeira, um case de sucesso. Todos os lugares do Brasil e do mundo em que vamos, nos perguntam sobre a Lapa. Temos muito orgulho de ter feito parte dessa história, contribuindo com nossa arte pro sucesso desse processo. E acho que essa troca foi produtiva pra ambas as partes.

Ter sido residente do Cultural Carioca, próximo à Lapa foi determinante para que o lugar fosse escolhido para ser palco da gravação do álbum comemorativo?
Daniel Montes: Foi determinante, assim como o fato de o lugar ser lindo, ícone da beleza do Centro Antigo do Rio de Janeiro, local histórico onde funcionava o Dancing Eldorado, frequentado por personalidades como Pixinguinha, Ciro Monteiro e Elizeth Cardoso. Além também do fato de o proprietário, Sérgio Manso, fazer parte da equipe do Casuarina há muitos anos.

Bateu emoção ao gravar Meu apelo, do eterno mestre Wilson Moreira, principal referência do conjunto?
Daniel Montes: Muita emoção. Wilson Moreira foi pra nós a referência primordial no samba. Desde os primeiros movimentos do Casuarina, nas noites de sábado da casa Dama da Noite, na Lapa, no início dos anos dois mil, Moreira generosamente nos visitava e compartilhava conosco sua sabedoria. Meu apelo é lindíssima, uma obra de arte composta somente por Moreira. Ficamos muito felizes por gravar está música.

Deve ser visto como homenagem aos autores a regravação de Falso moralista (Nelson Sargento), Disritmia (Martinho da Vila) e Canto de Ossanha (Baden Powel e Vinicius de Moraes)?
Daniel Montes: Homenagem aos compositores, sem dúvida. Também uma homenagem à história do Casuarina, que regravou todas elas ao longo da carreira, incorporando-as ao seu repertório.

A gravação de Certidão, samba de João Cavalcanti, é uma prova de que não há desavença entre vocês e o ex-integrante do grupo?
Daniel Montes: Nunca houve desavença, João é nosso irmão, convivemos juntos intensamente por quase 17 anos e somos uma família. Certidão é composição de João Cavalcanti e João Fernando.

O que têm feito em tempo de epidemia e como vê a atuação dos governantes em relação à proteção dos brasileiros contra o coronavírus?
Gabriel Azevedo: Já fizemos algumas lives, estamos bem presentes em nossas redes sociais, pra não perder esse contato direto com nosso público, principalmente nesse momento de lançamento de um novo trabalho. Mas estamos ansiosos pra isso passar e podermos viajar com esse show pelo país.

Já projetam algo para após a passagem desse período sombrio?
Gabriel Azevedo: A ideia é ir pra estrada, comemorar com nosso público essa festa dos 18 anos. Motivos não faltam e esperamos em breve poder realizar esse sonho.

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