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Correio Braziliense

Compositor Wesley Nóog fala sobre novo álbum e história do samba

O artista paulista lança o projeto 'O samba é da gente' e busca expandir alcance para todo o Brasil


postado em 31/05/2020 10:00

(foto: Universal Music/Divulgação)
(foto: Universal Music/Divulgação)
O cantor e compositor paulista Wesley Nóog é mais um dos nomes que nasceu e vive do samba. Com letras carregadas de questões culturais e sociais, músicas com influências da black music norte-americana e muito batuque, o artista lança O samba é da gente. Este, que é o sétimo trabalho do sambista, conta com 10 faixas, sendo 9 inéditas. “A montagem do repertório foi baseada no diálogo lógico entre as ideias poéticas, melódicas e harmônicas dos sambas”, explica.

Com o arranjador carioca Paulão 7 Cordas (responsável por dirigir discos de Zeca Pagodinho e João Nogueira) na produção do novo trabalho, o álbum manteve a essência, a tradição e os elementos fundamentais do samba, mas sem deixar a modernidade de lado. Cavaco, pandeiro, tamborim, surdo, cuíca e violão se somam às inovações da bateria, do baixo e do sopro.

Wesley Nóog acredita na simbologia do número sete - sétimo álbum - como influenciador na energia que depositou nesta produção após 20 anos de carreira. Para o artista, o diferencial está na gravação de músicas de outros compositores e na forma orgânica com que foi conduzida. “Eu não tinha feito essa experimentação em álbuns anteriores. Sempre gravei minhas próprias composições, desde que me senti seguro e confiante como compositor, o que de, alguma forma, fecha o flanco e impede a passagem e a possibilidade de pensar em gravar o que não é próprio. Essa visão mudou completamente devido a expansão da consciência artística”, pontua. 


Além do lançamento, o cantor e compositor também discorreu sobre o papel social do samba durante a pandemia causada pelo novo coronavírus e buscou um pouco da história marginalizada do estilo dos subúrbios cariocas. 

Ponto a ponto com Wesley Nóog

O samba e as questões culturais e sociais
Entendo e vivo o samba como elemento funcional, transformador e não apenas como produto. O samba transporta enorme peso histórico por conta da origem e da natureza marginal. Ao avaliar mais profundamente a história do samba, fica evidente a função social e cultural. Funcionava como uma espécie de jornal ambulante informativo, relatando o sofrimento gerado pela opressão de classe, racial e política. Infelizmente, de certa forma, ainda existe falta de consciência por parte da sociedade quanto a importância da arte com suas variadas linguagens, entre elas o samba. Parte da contribuição para este estado de inconsciência da sociedade está ligado a falta de informação, educação e aos sucessivos casos de escândalos. Temos muito para avançar nesse sentido.

20 anos de carreira
De fato, são quase 20 anos de carreira com várias turnês pelo Brasil, Europa e Estados Unidos dividindo palco ou participando em eventos com grandes nomes da música como Ed Motta, Diogo Nogueira, Seu Jorge, Zeca Baleiro, Fabiana Cozza e inúmeros outros. Para alguém como eu, filho de Sr. Ozias e Dona Ruthe, funcionários públicos pobres, atualmente aposentados, que tiveram ascensão social devido exorbitantes esforços, é bastante prazeroso e inusitado. Cheguei até aqui apoiado em ombros de grandes amigos apoiadores. Eles sempre acreditaram em meu talento e convicção em minha consciência da função histórica, que é despertar alegria e amenizar a dor, e em meu espírito empreendedor, convicto dos lugares onde quer chegar.

Produção do álbum
Criei e planejei o projeto, com a minha equipe, para gravar 10 sambas. Sendo assim, convidei o produtor executivo Castelo para ajudar no processo em que selecionamos 10 sambas dos mais de 100 que recebemos. As composições passaram pela minha aprovação, porque não consigo cantar um samba se não me identifico por completo com sua musicalidade. Ao definirmos as músicas, entrei em estúdio e gravei uma guia de todas as músicas com click no fone de ouvidos com violão e voz, definindo tom e meu estilo de cantar e tocar. Ao final, o maestro Paulão 7 Cordas ouviu, escreveu os arranjos, dirigiu e produziu o álbum. Para dar um clima de ao vivo e valorizar a sonoridade, os timbres e a dinâmica, optamos por gravar com todos músicos na mesma sala.

*Estagiário sob a supervisão de Adriana Izel

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