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Correio Braziliense

Correio indica: Cinco filmes que tratam de temáticas raciais

Com a luta pelos direitos raciais como com um dos principais assuntos, o Correio separou alguns filmes que tratam do tema disponíveis em streaming


postado em 01/06/2020 18:29

(foto: AFP / DANIEL LEAL-OLIVAS)
(foto: AFP / DANIEL LEAL-OLIVAS)
A discussão do último fim de semana girou em torno de questões raciais. Milhares de pessoas foram às ruas nos Estados Unidos reivindicando justiça por George Floyd, assassinado brutal e covardemente por policiais apenas por ser suspeito de ter cometido um crime que não foi comprovado.

As manifestações norte-americanas gritavam contra a truculência policial e o racismo estrutural, atitudes racistas enraizadas em instituições da sociedade como a própria polícia e o discurso dos cidadãos. Ao todo foram registrados levantes em 75 cidades no Estados Unidos e o assunto rodou o mundo sendo noticiado em vários países incluindo o Brasil. 

No cinema, as pautas raciais são discutidas com frequência. A representação da realidade de pessoas que sofrem rotineiramente com racismo está presentes nos filmes. No intuito de trazer pontos de vista sobre as questões raciais, o Correio indica algumas produções sobre a temática, disponíveis em serviços de streming.

Fruitvale Station


(foto: DCM Filmverleih/Divulgação)
(foto: DCM Filmverleih/Divulgação)

O filme traz uma história que dialoga muito situação atual dos Estados Unidos. Fruitvale Station conta as últimas horas de vida Oscar Grant, um jovem negro de 22 anos. Após passar um tempo preso devido a um pequeno delito, o agora ex-detento tenta retomar o rumo da vida. No entanto, Grant tem a vida sacada devido a negligência de seguranças na estação de Fruitvale, nos arredores de Nova York.

Baseado em uma história real, o filme de 2013 é escrito e dirigido por Ryan Coogler, responsável pelos sucessos Creed e Pantera Negra, e foi a estreia do jovem cineasta nas telonas. O filme também marca o descobrimento de Michael B. Jordan, o ator reeditou parceria com o diretor nos outros dois longas. A produção está disponível na Amazon Prime Video.

O ocorrido em Fruitvale se deu horas antes da virada do ano de 2009. Na época, milhares de manifestantes tomaram as ruas de Nova York com pedidos similares aos que vem sendo feitos no mais recente caso de George Floyd. O fato mostra que as causas raciais já são uma discussão popular há algum tempo e que Floyd não foi o primeiro e infelizmente não será o último.

Eu não sou seu Negro


(foto: Independent Lens/Divulgação)
(foto: Independent Lens/Divulgação)

Partindo de um livro inacabado do romancista James Baldwin, o diretor e produtor Raoul Peck faz uma análise das relações raciais nos Estados Unidos. Encontrando injustiças e incongruências históricas, o documentário passa por momentos que marcaram os norte-americanos e examina as questões raciais da contemporaneidade, para mostrar um pouco de como funciona a turbulenta relação com negros no país.

Narrado por Samuel L. Jackson, o longa lançado em 2016 mostra momentos como os que estão acontecendo atualmente após o assassinato de George Floyd, manifestações, levantes, clamores por justiça. O documentário também explora as mortes de grandes líderes do movimento negro como Malcom X, Martin Luther King Jr. e Medgar Evans. A história do que os negros americanos passam é destrinchada na produção indicada ao Oscar em 2017. O longa pode ser alugado nas plataformas FilmeFilme, Google Play e YouTube.


O ódio que você semeia


(foto: 20th Century Fox/Divulgação)
(foto: 20th Century Fox/Divulgação)

Da realidade para ficção, o longa O ódio que você semeia, baseado no romance homônimo de Angie Thomas apresenta os fatos que se sucedem após Starr presenciar um policial assassinar Khalil, jovem negro e melhor amigo da protagonista. A motivação teria sido que oficial achou, e errado, que o menino carregava uma arma consigo. O filme explora pressão sob a menina que é a única testemunha e terá de dar um depoimento no tribunal.

O longa é do diretor George Tillman Jr. (Notorious Big - Nenhum sonho é grande demais) e tem como protagonista Amandla Stenberg (Jogos Vorazes e Tudo e todas as coisas). O filme explora no enredo a forma como a polícia age com os negros nos Estados Unidos, as manifestações de direitos raciais e a chantagem que a personagem principal sofre para abafar o caso que mostra claro o racismo estrutural. A produção é de 2018 e está disponível no Telecine Play. 

Ó pai,ó


(foto: Europa Filmes/Divulgação)
(foto: Europa Filmes/Divulgação)

O filme brasileiro apresenta como é a vida em um cortiço em Salvador. O longa se passa nos últimos dias de carnaval quando os moradores do local estão se divertindo e se deparam com o fato da síndica ter cortado água por estar se sentindo incomodada com a folia. O longa ficou marcado por um dos mais potentes discursos de igualdade racial do cinema brasileiro, quando Roque, protagonista interpretado por Lázaro Ramos, confronta Boca, personagem vivido por Wagner Moura, e fala que negros sentem tanto quanto os brancos.

A produção tem direção e roteiro assinados por Monique Gardenberg e visa mostrar por meio da comédia e da música críticas sociais plausíveis sobre a forma como vivem as pessoas em cortiços do pelourinho e como são tratados os negros, principalmente em Salvador. O filme de 2007 pode ser visto na plataforma Globoplay.

Moonlight - Sob a luz do luar


(foto: A24/Divulgação)
(foto: A24/Divulgação)

Longa vencedor de três estatuetas no Oscar de 2017, incluindo Melhor Filme, Moonlight: Sob a luz do luar conta a história de Chiron na infância, adolescência e no início da vida adulta. Filho de uma viciada em crack e vítima do sistema, o personagem descobre a própria sexualidade no filme enquanto lida com racismo, bullying, os problemas da mãe e uma relação paternal com o maior traficante da região.

O filme é apenas o segundo de Barry Jenkins, responsável por direção e roteiro, e conta quais as dificuldades que um negro que se descobre homossexual passa em uma sociedade abertamente racista e homofóbica, isso sem deixar de lado a realidade das pessoas que estão completamente à margem do sistema, sem nenhum cuidado do governo. O filme tem distribuição feita pela Netflix no Brasil.

*Estagiário sob a supervisão de Adriana Izel

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