Publicidade

Correio Braziliense

Jacob do Bandolim é celebrado em disco de Daniela Spielmann e Sheila Zaguri

O álbum, já disponível nas plataformas digitais, reúne 11 faixas, entre elas, clássicos do artista


postado em 03/06/2020 11:00 / atualizado em 03/06/2020 17:39

Daniela Spielmann e Sheila Zaguri lançam disco em homenagem a Jacob do Bandolim(foto: Thiago Chediak/Divulgação)
Daniela Spielmann e Sheila Zaguri lançam disco em homenagem a Jacob do Bandolim (foto: Thiago Chediak/Divulgação)
Expoente do choro, Jacob do Bandolim tem sido reverenciado ao longo do tempo por instrumentistas e cantores. A obra do compositor carioca volta a ser objeto de tributo com o álbum Entre mil...você!, que reúne a saxofonista Daniela Spielmann e a pianista Sheila Zaguri. De forma requintada, o duo propõe com esse projeto trazer frescor e contemporaneidade a dolência de um gênero tido como matriz da MPB, a partir de arranjos e interpretação que têm por base o improviso característico do jazz e a sofisticação da música de câmara.

Disponível nas plataformas digitais desde o dia 24 último, CD que agora está sendo lançado no formato físico, pela gavadora Kuarup, reúne 11 faixas que inclui clássicos como as incontestáveis Doce de coco, Santa Morena e Vibrações, as consagradas Bole bole, Ginga do Mané (homenagem a Mané Garrincha), O voo da mosca, Receita de samba e outras menos conhecidas, Benzinho, Migalhas de amor e a faixa título. A elas se juntam duas composições de Sérgio Bitencourt — filho de Jacob —, Modinha e Naquela mesa. Em texto no encarte, o cavaquinista Sérgio Prata, diretor e do Instituto Jacob do Bandolim diz: “Por certo, esse CD traz um Jacob arejado, de janelas abertas, assim como ele faria hoje”.

Daniela Spielman e Sheila Zaguri são acompanhadas nesse trabalho por Almir Côrtes (bandolim), Rodrigo Villa (baixo elétrico e contrabaixo acústico), Catherine Bent (violoncelo), Xande Figueiredo (bateria), Clarice Magalhães e Roberto Valente (pandeiro). A cantora e atriz Soraya Ravenle interpreta Modinha e Naquela mesa.

Saxofonista e flautista, Daniela Spielmann, com bons serviços prestados à música popular brasileira, trafega com familiaridade pelo jazz: gravou 12 discos como integrante de grupos dos quais tomou parte, entre eles Rabo de Lagartixa e Mulheres de Pixinguinha — formado só por mulheres — e um solo, o Afinidades, de 2018. Ex-integrante da banda do programa Altas Horas, comandado por Serginho Groisman, ela fez doutorado em musicologia pela Unicamp, em 2017, sobre a performance de Paulo Moura; e mestrado pela UniRio, em 2018.

Pianista de formação eclética, Sheila Zagury, com atuação destacada em diferentes áreas, como MPB, jazz e música erudita, atuou ao lado do cantor Eduardo Dusek, das cantoras Ângela Ro Ro e Áurea Martins, e da Rio Jazz Orchestra. Há 20 anos, faz duo com o gaitista José Staneck. Em 2010, os dois se juntaram ao violonista Ricardo Santoro na gravação do CD Harmonitango, dedicado à obra de Astor Piazzolla. Zagury também faz parte da Orquestra Lunar e da Orquestra de Gafieira, composta só por mulheres. Com doutorado pela Unicamp,é pesquisadora e professora de música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Entre mil...você!
CD de Daniela Spielmann e Sheila Zaguri com 12 faixas. Lançamento da gravadora Kuarup. 
Preço sugerido: R$ 25.

Três perguntas // Daniela Spielmann

Qual a relação de vocês com a obra de Jacob do Bandolim?

Músicas de Jacob do Bandolim sempre fizeram parte do nosso repertório de shows. Em 2007, gravamos o CD Brasileirinhas e incluímos Bole Bole bole e Santa Morena, duas composições dele. Em 2018, foi celebrado o centenário do Jacob, mas à época eu estava lançando o CD solo Afinidades e a Sheila acabara de defender a tese de doutorado e lançado o CD Hamonitango. Então adiamos a homenagem.

Que critério utilizaram para a escolha das músicas para o Entre mil...você?

Optamos pela não repetição de determinados arranjos e a ordenação de sonoridades contrastantes. Outro critério escolhido foi em relação ao que iria soar bem para os nossos convidados. Receita de samba foi uma das músicas usada pela Sheila na defesa da tese dela. 
      

Houve dificuldade para criar nova sonoridade para as músicas escolhidas?

Os arranjos foram feitos por nós duas e elaborados como vinho, curtidos com o tempo. Alguns tiveram definições certinhas, como música de câmara. Em outras houve espaço para improviso. Criamos inúmeras versões até chegar à gravação. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade