Diversão e Arte

Brasil lidera o ranking mundial de lives no YouTube

Os sertanejos Marília Mendonça e Jorge & Mateus puxaram a audiência, mas o pop de Sandy & Júnior, o samba de Péricles e o rap de Emicida conquistaram o seu espaço

Mariana Peixoto/Estado de Minas
postado em 06/06/2020 19:01
Rainha da Com 15 anos de história, o YouTube, a maior plataforma de compartilhamento de vídeos do mundo, realizou sua primeira transmissão ao vivo no final de 2008. No Brasil, esse marco é de novembro de 2010, quando um show reuniu, durante três horas, nomes do sertanejo como Michel Teló, Luan Santana, Victor & Léo e Bruno & Marrone.

Ainda que o recurso esteja disponível há uma década, a explosão da transmissão via streaming, a hoje popularíssima live, durante a quarentena decorrente da pandemia do coronavírus, é um fenômeno que tem no Brasil seu principal mercado. Lives vêm ocorrendo aos milhares em todos os cantos em diferentes plataformas e redes sociais ; música, cinema, artes cênicas, exercício físico, culinária, palestras, aulas, debates de toda natureza.


O rapper Emicida arrecadou R$ 800 mil para o projeto Mães da Favela

Ferramenta


Mas na música, especificamente, o Brasil soube se apropriar dessa ferramenta como ninguém. Seja pela imensa popularidade dos artistas, e por eles, antes de outros segmentos, terem descoberto o filão, os sertanejos dominam o ranking mundial de transmissões ao vivo do YouTube.
Das 10 lives com maior audiência, não só neste período de pandemia, mas de toda a trajetória da plataforma, sete são de sertanejos. E Marília Mendonça, que encabeça a lista, também aparece em oitavo lugar com uma segunda live, realizada em maio.

Passados dois meses e meio do início do período do isolamento social, ainda são do mês de abril as cinco maiores audiências. Dos brasileiros, somente Sandy & Júnior (quinto colocados) não fazem parte da seara sertaneja (ainda que ela esteja na gênese da dupla). Só há dois nomes internacionais: o tenor italiano Andrea Bocelli (terceiro colocado) e o grupo pop sul-coreano BTS (sétimo colocado).

;Os números estão aumentando fora, mas o fenômeno é no Brasil;, comenta Sandra Jimenez, diretora de parcerias musicais do YouTube para a América Latina. ;Claro que precisamos aprofundar nossa percepção do porquê do fenômeno, mas acho que, primeiro, porque o brasileiro adora música. Outro fator que a gente vem observando é o da conexão com o artista preferido. Através da live, o fã está entrando na casa do artista, tendo uma relação de intimidade. E há ainda a conexão via redes sociais, comunidades, quais as músicas que se quer ouvir. O artista interage no YouTube, no Twitter, e assim você gera um buzz (ação de marketing viral) antes, durante e depois da live, o que faz com que haja volumes enormes de audiência.;

A audiência divulgada pela empresa YouTube refere-se ao pico de visualizações, ou seja, ;quantas pessoas assistiram à live ao mesmo tempo;, diz Sandra. Isso não quer dizer, obviamente, que os milhões de pessoas ficaram conectados naquela transmissão durante todo o tempo em que ela foi realizada.

;Os donos de cada canal (os artistas) têm ferramentas de relatórios muito poderosas, sabem o que aconteceu segundo a segundo;, Sandra explica. Os números finais são disponibilizados para cada canal 48 horas após cada live. Estes, ela conta, são confidenciais ; por exemplo, a média de quanto tempo de visualização por tipo de equipamento. ;Normalmente, quem assiste via televisão fica conectado mais tempo do que a pessoa que está no celular, que vai e volta muitas vezes. Há pessoas que acessam no tempo real, outras aguardam dois dias para assistir.;

E live, vale dizer, qualquer um pode fazer, desde que tenha mais de mil assinantes em seu canal ; a plataforma disponibiliza tutoriais para sua realização. Sandra conta que não houve mudanças estruturais na plataforma por causa da pandemia. ;O que sentimos foi a necessidade de treinamento para todos os pontos da cadeia fonográfica.;

Já nas primeiras semanas do isolamento social, cerca de mil profissionais do meio ; ligados a gravadoras, distribuidoras, escritórios de artistas, produtoras, editoras ; fizeram um curso on-line promovido pelo YouTube. ;No treinamento, passamos detalhes técnicos, como qual velocidade o vídeo tem que ter, a banda larga, o mínimo de uma estrutura para uma boa live. Não mudamos regra nenhuma;, ela admite.

Propriedade intelectual e publicidade foram responsáveis para que a plataforma tirasse conteúdo do ar, ainda na fase inicial da quarentena. ;O YouTube é só o meio. Se o detentor do direito aplica a propriedade dele no conteúdo, nós tiramos;, ela explica. A plataforma tem um sistema que identifica se a propriedade intelectual de alguém está sendo utilizada sem autorização. Os donos dos direitos são avisados e, caso não autorizem, solicitam que o material saia do ar.

Já o uso da publicidade é liberado, desde que seguindo as regras. Os canais não podem veicular inserções publicitárias nos mesmos moldes daquelas vendidas pela plataforma (como os comerciais que entram antes das transmissões). Foi isso que ;derrubou; a live da dupla César Menotti & Fabiano, em abril.

O tenor Andrea Bocelli, que fez concerto em Milão no domingo de Páscoa, é o terceiro da lista

Parcerias


;Independentemente de ser de música ou não, os canais fecham parcerias diretamente com as marcas. Não há qualquer porcentagem nossa nesta negociação direta, mas a nossa área de vendas tem a possibilidade de comercializar os eventos, como acontece com os vídeos que entram antes das transmissões;, explica Sandra.

Ainda que os sertanejos dominem os recordes de audiência, outros segmentos da música popular vêm alcançando feitos nesta temporada de lives. O sambista Péricles conseguiu 887 mil visualizações simultâneas em uma transmissão realizada em abril, além de 600 mil novos inscritos para o Canal do Periclão.

O rapper Emicida, com uma live que durou oito horas no início de maio, arrecadou cerca de R$ 800 mil durante o evento para a iniciativa Mães da Favela. Já o DJ de funk Dennis tem feito transmissões antes ou depois dos sertanejos, uma espécie de esquenta ou after para as lives principais. Isso vem lhe rendendo bons números: sua primeira live atingiu 400 mil visualizações simultâneas.

Com o boom das transmissões, dá para pensar em como vai ser pós-pandemia? ;Acreditamos que elas vão continuar e conviver com o retorno dos concertos. Tem muita cidade que está fora do circuito de shows. Além disso, os artistas se deram conta de que live é uma forma de eles terem receita. Acabamos de entrar no terceiro mês da quarentena, então nos próximos dois, três meses, as lives continuarão mais fortes;, conclui Sandra.


TOP 10 DO YOUTUBE


1 ; Marília Mendonça (Brasil)
8 de abril: 3,31 milhões
2 ; Jorge & Mateus (Brasil)
4 de abril: 3,24 milhões
3 ; Andrea Bocelli (Itália)
12 de abril: 2,86 milhões
4 ; Gusttavo Lima (Brasil)
11 de abril: 2,77 milhões
5 ; Sandy & Júnior (Brasil)
21 de abril: 2,55 milhões
6 ; Leonardo (Brasil)
1; de maio: 2,52 milhões
7 ; BTS (Coreia do Sul)
8 de abril: 2,31 milhões
8 ; Marília Mendonça (Brasil)
9 de maio: 2,21 milhões
9 ; Henrique & Juliano (Brasil)
19 de abril: 2,06 milhões
10 ; Bruno e Marrone (Brasil)
16 de maio: 2,05 milhões
Os dados se referem ao pico de visualizações

Agenda

Sábado (6)
; 16h ; Thaeme e Thiago (YouTube)
; 18h ; Bell Marques (YouTube)
; 18h ; Festival Tamo Junto (Projota, Melim, Yasmin Santos; YouTube)
; 19h ; Ana Carolina (Instagram)
; 20h ; Jota Quest (YouTube)
; 20h ; Zé Neto e Cristiano (YouTube)
; 20h ; Fernando e Sorocaba (YouTube)
; 21h ; Tuyo (YouTube)

Domingo (7)
; 18h ; Mumuzinho (YouTube)
; 18h ; Simone (Instagram)
; 19h ; Manu Gavassi (YouTube)
; 23h ; All In WA ; A concert for Covid-19 relief (Pearl Jam, Dave Matthews e outros; Twitch)

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