Diversão e Arte

Em isolamento social, como tem reagido o público amante da música?

Algumas dessas pessoas falaram ao Correio como tem sido a rotina na pandemia

Irlam Rocha Lima
postado em 12/07/2020 06:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Brasília é uma cidade em que eventos artísticos, principalmente os da área musical, são prestigiados por expressivas e participantes plateias. Há mais de três meses, shows, concertos e espetáculos do gênero deixaram de ser realizados por causa da disseminação do novo coronavírus, que privou os espectadores de uma das principais alternativas de entretenimento e de fruição da cultura na capital.

Em isolamento social e com a remota expectativa do retorno dessa atividade, os amantes da música mesmo diante da impossibilidade usufruí-la presencialmente, continuam a tê-la como acalanto, ao assistir a lives, a programas de televisão e ao acessar o conteúdo sobre o assunto disponível nas plataformas digitais. Ouvidas pelo Correio algumas dessas pessoas falaram também da rotina que mantêm durante a interminável quarentena.

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Ayres Britto (Jurista) ; Frequentador assíduo do Clube do Choro, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto guarda na memória shows de João Donato, Armandinho Macedo, Hamilton de Holanda e outros grandes músicos brasileiros que assistiu naquele espaço cultural localizado no Eixo Monumental, onde possui mesa cativa, em que teve como convidados os também ex-ministros do STF Joaquim Barbosa e César Peluzzo. Presença constante também no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, ele se recorda de apresentações de Caetano Veloso, João Bosco, Djavan e Ivan Lins. Enquanto espera a retomada das atividades artísticas, mesmo sem saber quando, o jurista ouve música, lê livros e escreve poemas. Poeticamente observa: ;Estou batendo pernas dentro de mim mesmo, conversando com os próprios botões e dando voltas nos quarteirões de minha alma;.
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Orly Burgos (Diplomata) ; ;Mantenho o saudável hábito de assistir aos concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, no Cine Brasília. Isso é algo que me faz muita falta agora, em tempo de pandemia. O último que presenciei foi no começo de março, em que o programa tinha como destaque obra de Igor Stravinsky;, frisa a primeira secretária da Embaixada da República Dominicana. Ela diz que, recentemente, viu uma live da orquestra, que tem Cláudio Cohen como maestro. A diplomata atua na produção da Mostra Latina-Americana e Caribenha de Cinema, que foi realizada em outros anos também no Cine Brasília. A edição de 2020 voltou a ocorrer de 1; a 3 deste mês no formato on-line, com exibição dos filmes pelo canal Grulac Brasil.

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Bruno Nere (Tatuador) ; O rock dos anos 1990 e as batidas eletrônicas têm a preferência de Bruno Nere, que costuma ouvir estes estilos musicais em festas temáticas LGBTS, como a Toranja e outras que ocorrem na Birosca, no Conic. ;Me identifico mais com eventos voltados para o público alternativo, que é formado por pessoas respeitosas e conscientes com as quais tenho maior interação. São essas festas que, no período da necessária quarentena, fazem falta para alguém como eu, que tem o hábito de sair à noite, para me socializar;, ressalta. ;Além de me dedicar ainda mais ao estudo da arte de tatuar, tenho feito pouca coisa. Dia desses, fui a uma cachoeira com um amigo, e só;, complementa.

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Natália Dantas (Psicóloga) ; Logo que o Samba Urgente surgiu, em 2018, Natália Dantas começou a prestigiar o coletivo de instrumentistas que comanda esta concorrida roda de samba. ;O fato de o Samba Urgente ocupar o espaço urbano da cidade ganhou a minha simpatia desde o começo. Além disso, vejo-o como algo democrático e inclusivo, que prega o respeito à igualdade e ao amor;, salienta a psicóloga, que fez muitas amizades no evento. Ela elegeu a edição ocorrida na área da piscina de ondas, no Parque da Cidade, como a melhor de todas, principalmente pela participação inesperada da cantora paulistana Paula Lima. ;As lives ocupam parte do tempo durante o isolamento social, mas nada se compara a troca de energia, que o Samba Urgente proporciona;, sublinha.

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Yan Cláudio (Vestibulando) ; De gosto eclético, o estudante Yan Cláudio tem preferência por festivais que reúnem artistas de diferentes estilos musicais. Como este ano a programação musical foi interrompida logo depois do carnaval, ele diz que não assistiu a nenhum show que considerou importante. ;Em 2019, assisti a apresentações de Ney Matogrosso, no CoMa (na área do Complexo Cultural da Funarte); e de Iza, no Pavilhão Luz (Estádio Nacional Mané Garrincha), que foram especiais. Trabalhei, como freelancer, no Festival Melanina e pude curtir a black music que faz a trilha sonora deste projeto;, lembra. ;Estou sentindo muita falta de shows ao vivo e de encontrar os amigos;, reforça.

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Jaque Menezes (Designer) ; Um dos eventos artísticos mais concorridos na cidade, o Buraco do Jazz, que até março vinha ocorrendo no estacionamento 4 do Parque da Cidade, tem em Jaque Menezes uma grande apreciadora. ;Vou ao Buraco desde o começo, em área próxima de um posto de gasolina, no Eixão, na Asa Sul. Depois mudou para o complexo cultural da Funarte e continuei indo; assim como no Parque da Cidade, onde e instalou no ano passado. Lá ouço boas música com instrumentistas e grupos como o Sabor de Cuba, Além disso curto muito o ambiente e fiz muitos amigos nesse evento;, enfatiza a designer. ;Já assisti várias lives, entre as quais de Gilberto Gil, mas não é a mesma coisa de música ao vivo;, observa.

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Andréa Tameirão (Professora) ; Shows no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães estão os que têm a preferência da professora Andréa Tameirão, principalmente os de cantores e bandas do segmento pop rock. ;Já perdi a conta dos shows que fui com o meu marido Giuliano, no Ulysses Guimarães. Do Nando Reis, por exemplo, assisti alguns e sempre curtimos muito; assim como os do Skank e do Jota Quest. Durante a pandemia, alguns grupos tem tocado nas quadras, debaixo dos blocos. Achei bem legal a apresentação do DF Música, aqui no Sudoeste;, disse ela, que já viu no YouTube shows do Iron Maiden, Red Hot Chilli Peppers e de outras bandas gringas.

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Hilton Carvalho (Empresário) ; Fã de astros da música sertaneja como Gusttavo Lima e Jorge & Mateus; e dos cantores e axé music Bell Marques e Durval Lelys, o empresário do ramo de transportes Hilton Carvalho acha está passando da hora de voltar a assistir a shows dos artistas que admira. ;Mantenho total fidelidade ao projeto Na Praia, que prestigío desde a primeira edição e que sempre tem grandes nomes da música brasileira na programação. Não sei se neste ano vai acontecer, mas torço para que ocorra;, reforça. ;Nesse período de quarentena, tenho saído pouco, mas já levei a família ao Festival Drive-In, no estacionamento do Aeroporto JK, para assistir ao filme Sing ; Quem canta seus males espanta;, salienta.

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Caio Tibúrcio (Servidor público aposentado) ; Há três décadas, Caio Tibúrcio marca presença no Feitiço Mineiro, o mais importante palco da música no circuito das casas noturnas brasilienses. O servidor público aposentado destaca a celebração dos 20 anos do bar e restaurante da 306 Norte, quando praticamente todos os ;sócios; do Clube da Esquina ; de Lô Borges a Fernando Brant ; ali se apresentaram. ;Me recordo também de um raro show de Baden Powell em Brasília que aconteceu no Feitiço e do qual fui o intermediário. Depois de fazer a sugestão ao saudoso Jorge Ferreira, entrei em o contato com o violonista, de quem me tornei amigo;. Ele diz que depois de três meses sem poder ir lá, por conta da covid-19, já está saudoso das boas música ao vivo. ;Agora tenho apreciado lives, como as de Teresa Cristina, Hamilton de Holanda e Rogério Caetano;, acrescenta.

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