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Correio Braziliense

Dia Internacional do Rock: Roqueiros brasilienses falam sobre o estilo

No Dia Internacional do Rock, confira o que alguns dos roqueiros brasilienses têm a dizer sobre um dos mais populares ritmos do mundo


postado em 13/07/2020 10:15 / atualizado em 13/07/2020 10:17

Impressiona a quem curte e, mesmo aos que não são exatamente apreciadores, a jovialidade de um setentão chamado rock and roll. Originário dos Estados Unidos, esse estilo de estrutura musical simples — em sua forma pura utiliza três acordes —, tem raízes na country music, gospel e R&B. Historicamente, os criadores desse estilo foram Chuck Berry, Little Richard e Jarry Lee Lewis, embora a popularização seja atribuída a Elvis Presley e Bill Haley, protagonista do filme Rock around the clock, que no Brasil, onde foi exibido em 1956, recebeu o título de No balanço das horas.

Entre nomes icônicos que contribuíram para tornar o rock algo atemporal, a partir da década de 1970, estão bandas como Beatles, Rolling Stones, Led Zepelin, Pink Floyd, Ramones, The Clash, The Doors e Queen, além dos cantores e compositores John Lennon, Paul McCartney, David Bowie e Elton John, do guitarrista e compositor Jimi Hendrix e da cantora Janis Joplin. Eles entram para a história da música universal e fazem parte da memória afetiva de incontáveis fãs.

No Brasil, os irmãos Cely e Tony Campello são vistos como os pioneiros do rock, na segunda metade dos anos de 1950. Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa e seus companheiros da Jovem Guarda despertaram o interesse pelo gênero nos anos 1960; enquanto Raul Seixas e Rita Lee se tornaram símbolos roqueiros na década de 1970. As bandas paulistanas Titãs e Ira!, as cariocas Barão Vermelho e os Paralamas do Sucesso estão entre os representantes da geração oitentista, responsáveis pelo que veio a ser conhecido como BRock. Brasília contribuiu para isso com as reverenciadas Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude e Detrito Federal.

Hoje, comemora-se o Dia Internacional do Rock, instituído em 13 de julho de 1985, quando o cantor, compositor e humanista inglês Bob Geldof idealizou um festival chamado Live Aid, que ocorreu simultaneamente em Londres e na Filadélfia, cuja renda foi destinada ao combate à fome na Etiópia. Desde então, a data vem sendo comemorada em todo mundo. Em tempo de interminável quarentena, determinada pela pandemia, roqueiros brasilienses fazem a celebração em casa, longe do palco e do público. Veja o alguns deles, ouvidos pelo Correio, disseram.

(foto: GiovannaOhl/Divulgação)
(foto: GiovannaOhl/Divulgação)

Philippe Seabra (Plebe Rude) — “Sempre achei estranho ter um dia para o rock, pois, pela natureza contestatória, creio que o rock não se conformaria em ser celebrado apenas num só dia. O rock deu voz aos jovens desde a década de 1950 e não foi diferente em Brasília, relacionada à geração da qual a Plebe fez parte. Nesse período que vivemos, com o impacto do coronavírus na sociedade, se existe um ponto positivo, é que veio apressar a história, ao demonstrar mais claramente toda a incompetência e falta de gestão desse governo patético. A Plebe também foi atingida, pois não pudemos lançar o álbum duplo Evolução, com o adiamento da turnê que faríamos pelo Brasil e Europa, onde participaríamos do Festival Rebellion, na Inglaterra.”
 
(foto: Matt Magrath/Divulgação)
(foto: Matt Magrath/Divulgação)
 
Tomás Bertoni (Scalene) — “Eu era pré-adolescente quando o rock entrou na minha vida, ao ouvir bandas clássicas, como Beatles, por influência dos meus pais, e o Red Hot Chili Peppers, e a pouco conhecida banda californiana Thrice. O rock, além de se tornar uma referência, fez surgir em mim, a partir dos 14 anos, uma identidade musical. Nosso último show foi no primeiro fim de semana de março, em Campinas (SP). Com o surgimento da pandemia, houve o adiamento das apresentações para lançar o EP Fôlego. Aliás, a produção desse projeto nos impôs um desafio, o de fazer  tudo à distância, cada um trabalhando no seu tempo. Foi uma experiência diferente, mas fluiu bem. O lado bom dessa longa quarentena é que sobrou tempo para que eu possa atenção total ao Benjamim, o meu primogênito.”
 
(foto: Amanda Peres/Divulgação)
(foto: Amanda Peres/Divulgação)
 
Kiko Peres (Natiruts) — “Minha ligação com o rock vem de muito tempo. Para aperfeiçoar minha performance como guitarrista, me formei em música no Guitar Institute of Technoloy, de Los Angeles, em 1992. Fiz parte de algumas bandas, como Pravda, e das que faziam cover de Jimi Hendrix e Led Zeppelin. Atualmente, integro o Natiruts, com o qual vinha fazendo muitos shows antes da covid-19. Durante a quarentena, a música continua sendo minha maior terapia. Tenho tocado bastante e criado novas composições, que pretendo lançar ainda neste ano. Mas sinto muita falta de estar no palco e de trocar energia com o público.”

Zenny Galvão — “O rock sempre esteve presente em minha vida. Sou baixista desde 1989, quando formei a banda metaleira Flammea. Participei também e outros projetos, como os da Dona Encrenca, Foxy Lady, Rarabichebas, The Evil Rock e Woman in Rock. No momento, com a paralisação que atinge fortemente o meio artístico, recorro ao que ainda tem de sobra, a criatividade. Eu e Fábio Marreco fizemos jams virtuais com Rafael Cury e Thiago Totem. A vida está em suspenso, indefinida, o que se agrava com perdas de vidas e pela absurda inação e insanidade política. Mas a arte sempre resiste; e por hora é o que temos de cura.”
 
(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
 
Bruna Dornellas (Mirante) — “O rock tem uma importância muito grande para mim. Vejo como forma de expressão e pressão sobre valores tradicionais. Tomo parte de um projeto de rock alternativo como vocalista da banda Mirante. Com esse trabalho, iniciado em 2019, mostramos nosso som, nossa interpretação e nossa opinião, por meio das letras. No período de isolamento, determinado pela covid-19, nos adaptamos e criamos um método de produção caseiro. As músicas serão gravadas quando tudo isso passar. Sonho com o dia em que poderei subir novamente ao palco. Mas, enquanto isso não for possível, faço um apelo: fique em casa!”
 
(foto: Deilson Psykhe/Divulgação)
(foto: Deilson Psykhe/Divulgação)
 
Kefere Kafe (Indigentes e Indecisos) — “Somos uma banda de punk rock de São Sebastião-DF e vemos a importância de haver uma data comemorativa para o rock apenas para relembrar que, historicamente, esse gênero musical contestatório, abre a mente e provoca inspiração. A Indigentes e Indecisos foi formada em 2015, tem feito shows e participado de festivais undergrounds em vários pontos do Distrito Federal, incluindo a Vigília Cultural pela Democracia, na área externa do Museu Nacional da República. Como estamos sem atividade por causa da pandemia, sugiro que acessem nossa página no Facebook, em que postamos sempre muitas novidades e gravações de músicas com letras satíricas e críticas sociais.”

Alexandre Macarrão (Rock Beats) -- "O rock'n'roll para mim é muito mais que um gênero musical, pois tem a ver com o meu estilo de vida. Afinal ele ajudou a mudar de comportamento,que era marcado por muitos tabus. Fui baixista de MPB e jazz até 2009. Em seguida integrei algumas bandas de rock e agora faço parte da Rock Beats, com a qual, antes do advento do coronavírus vinhna fazendo muitos shows. Agora, estamos preparando uma colab, o lado de grandes nomes do rock nacional, que será lançado no dia 24 deste mês, num especial comemorativo do mês do rock".

Fábio Alberto (Never Look Back) -- "O rock transcende gerações e para mim impactou diretamente na formação dos meus ideais e mesmo no meu caráter. Devo muito a esse gênero musical o meu estilo de vida, sempre ligado ao discurso de contestação, às causas sociais e a busca por um mundo mais justo. A Never Look Back é um banda de metal hardcore, formada há três anos, que já lançou dois EPs, e tocou na América do Sul, América Central e na Europa. Temos um documentário sobre a turnês pela América do Sul, em meio a protestos na Colômbia e no Chile. A pandemia nos trouxe muitos ensinamentos, reflexões e melhora comportamental. Longe dos palcos e da estrada, estamos nos reiniventando, trabalhando de forma remota, no lançamento de materiais audiovisuais. Planejamos também o lançamento de um disco que reúne temas comprometidos com setor cultural, atualmente bastante afetado''.

Gustavo Vasconcellos (BSB Disco Club) -- "Atuo como músico, tocando bateria há mais de três décadas e também como produtor, à frente da GRV Music,Media & Entretenimento. Vamos celebrar o Dia Internacional do Rock promovendo a terceira edição do projeto Guitarras do Cerrado, com a participação de guitarristas brasilienses de diferentes gerações em lives. Haverá registro dessas lives que serão posteriormente lançadas em plataformas digitais. Continuamos trabalhando em tempo de coronavírus, lançando digitalmente em todo o planeta trabalhos com rock autoral das bandas Mirante, Never Look Back e Pássaro Preto e relançamento de discos do Cachorro Cego, Liberdade Condicional, Mel da Terra, Tellah e do cantor e compositor Dente".
 
(foto: Henrique François/ Divulgação)
(foto: Henrique François/ Divulgação)
 
Denis Oliveira (Let it Beatles) --  "O que me levou a ter encantamento com o rock foi o som distorcido da guitarra. Eu tinha 13 anos, era fã de Michael Jackson e Stevie Wonder, quando comecei a tocar guitarra. Desde então passei por diversas vertentes desse gênero musical. Embora seja vocalista das bandas Let it Beatles e Drag Queen (cover do Queen), nunca deixei a guitarra de lado, até porque tenho o projeto autoral com a banda Bad Salad, pela qual já lancei dois álbuns. Nesse paradeiro, provocado pela pandemia, os músicos foram atingidos em cheio; e para quem vive exclusivamente desse ofício, está ainda mais difícil. Alguns estão dando aulas on-line, a distância, e há os que aderiram às lives, para garantir o sustento".

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