Diversão e Arte

Juninho Ibituruna lança álbum 'Até' inspirado a partir de áudio-poema

O álbum 'Até' ajudou o músico a superar momentos difíceis durante o confinamento social

Paula Barbirato*
postado em 20/07/2020 17:00
Juninho Ibituruna
Após um período produtivo durante a pandemia ao lado do projeto luso-brasileiro, a banda Xafu, formada também por André Xina e Francesco Valente, com quem gravou dois álbuns de 10 faixas cada na pandemia, o músico Juninho Ibituruna se viu num período em que a criatividade passou e um estado depressivo se estabeleceu. ;Chegou um tempo que eu não saía do quarto. Já tinha montado meu home studio dentro do quarto. Mal comia, só ficava ali trancado;, conta o músico.

Tudo isso mudou, quando recebeu um áudio-poema de Liz Braga, colega de trabalho do Coletivo Esquina, recitando reflexões sobre o momento atual. ;Eu tinha que respondê-la de alguma forma;, lembra. Dessa forma, compôs uma trilha só percussiva e, assim, estabeleceu uma conversa, que gerou mais conexões depois. Mais tarde, oito novas faixas compuseram o álbum intitulado Até.

O nome veio da junção de um linguajar mineiro, com a vontade de algo italiano ou napolitano para identificar o lugar em que estava. O músico revela que até hoje não encontrou com ninguém que participou da produção coletiva de Até, então o nome vem para dizer que ;é um até, até logo, até breve, até o próximo álbum (...) É sempre um até;, completa o artista.

Apesar de ser acostumado a criar ambientes musicais para versos, Juninho Ibituruna revelou que o maior desafio para o álbum Até foi usar a rítmica para dialogar com as falas, sem que roubasse a cena do texto. Para completar visualmente o trabalho, Clarice Panadés, também do Coletivo Esquina, criou uma capa específica para cada faixa.

Além disso, os poemas compostos no álbum são de Dandara Modesto, Brisa Marques, Sara Cabral, Edinho Ramos, Rita Podestá e Rafael Camissasa. A mistura de som e a masterização foram responsabilidade, respectivamente, de André Xina e Maurício Caruso. A composição instrumental ficou nas mãos do próprio Juninho Ibituruna na bateria, Pedro Ratton na percussão e Júlio Mengueles, juntamente com Francesco Valente, nos contrabaixos.

Buscando uma forma de se sustentar durante a pandemia da covid-19, Juninho Ibituruna ressaltou a importância de se reinventar. Ministrou aulas on-line para grupos fechados sobre cultura afro-mineira, trazendo congada e outras manifestações para o foco. Os discos estão disponíveis virtualmente, bem mesmo como Até, que pode ser acessado em https://juninhoibituruna.bandcamp.com/

Sobre Juninho Ibituruna

Oriundo de Governador de Valadares (MG), de uma família inteira de bateristas, desde bisavô, passando para avô, pai, esposa, o músico revela que não teve para onde correr. Foi para Belo Horizonte para se aprofundar nos estudos de percussão, aprendendo sobre a história do pandeiro, linguagem percussiva eletrônica, entre outras vertentes do meio. Teve a ligação com a Europa por meio de turnês e gerou a conexão com diversos espaços culturais, entre eles o Fábrica Braço de Prata. Atualmente, também atua como pandeirista do grupo Choro de Fábrica.

*Estagiária sob supervisão de Adriana Izel

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