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Correio Braziliense

Novidades do mundo dos quadrinhos, 2º gênero mais consumido na quarentena

Mesmo com a pandemia, fluxo de lançamentos no formato é grande. Confira obras que vão desde novas histórias da Turma da Mônica até produções com viés político


postado em 01/08/2020 06:01

Capa da HQ Cascão Temporal de Camilo Solano(foto: Mauricio de Sousa Editora e Panini Comics/Divulgação)
Capa da HQ Cascão Temporal de Camilo Solano (foto: Mauricio de Sousa Editora e Panini Comics/Divulgação)
Um levantamento do Instituto GFK com livrarias físicas e on-line apontou que, durante a quarentena, as histórias em quadrinhos tiveram um crescimento no consumo. Passando da quinta colocação, para a segunda, perdendo apenas para os romances.
 
Mesmo na pandemia, grandes editoras continuaram lançando as obras e estimulando o mercado. É o caso da Panini Comics, que tem selos voltados para lançamentos da Mauricio de Sousa Produções, além de DC e Marvel. “Durante a pandemia, fizemos algumas adequações, pois muitas publicações estavam relacionadas com filmes, mas o impacto foi pequeno, pois conseguimos lançar os títulos mensais e os especiais para o mercado”, explica Marcelo Adriano da Silva, gerente de marketing da Panini Brasil.

Do lado mais independente, houve, um impacto, principalmente, quando se fala em HQs físicas, mas as versões digitais seguem sendo opção. “A pandemia atrapalhou nossos planos de publicação em bancas. A ideia era distribuir quadrinhos para todas as regiões do país, tentando democratizar o acesso. Apesar de a versão impressa não ter saído (mas vai sair assim que a situação melhorar), acredito que publicações digitais também estão democratizando o acesso aos títulos, permitindo que pessoas que moram longe dos centros de distribuição”, avalia Rapha Pinheiro, editor da Editora Guará.

De olho na força do gênero, o Correio selecionou algumas obras lançadas recentemente que merecem atenção. Confira!

Cascão: Temporal


Da coleção graphic MSP, Cascão: Temporal (Panini Comics, 97 páginas. Preço médio: R$ 41,90) traz uma história diferente do personagem da Turma da Mônica em que aborda o tempo, tanto como a duração das coisas, como também faz certa referência à meteorologia. A versão do clássico personagem é de Camilo Solano, que sempre sonhou em participar do projeto. Para chegar a própria perspectiva de Cascão, fez questão de pesquisar o passado do personagem em gibis.

Assim chegou a história de Temporal, quando Cascão passa um dia com o tio Gerson. “Em um momento encontrei um elo entre o universo do Cascão e o meu, que foi descobrir que ele tinha um tio que possui o mesmo nome do meu pai, Gerson. A partir disso, comecei a desenvolver a história, pois meu pai trabalha na Sabesp há quase 40 anos e achei engraçada a ideia do Cascão ter um tio que trabalha em uma empresa de água. O visual do Cascão surgiu de diversos estudos para definir bem a silhueta do personagem e claro, colocar todo o meu estilo ali”, completa.

Sobre a relação da temática da história com o momento atual, ele diz: “O roteiro foi escrito em maio de 2019 e eu não fazia ideia de que tudo isso aconteceria. Que todos ficaríamos isolados igual o Cascão fica com seu tio em Temporal. O poder que as histórias em quadrinhos têm nesses momentos demonstra a potência que essa arte possui. É uma história leve que conta com a imaginação e tenta passar um pouco disso para o leitor”.

Camilo Solano, ilustrador e autor de Cascão Temporal da Mauricio de Sousa Editora e da Panini Comics(foto: Arquivo Pessoal.)
Camilo Solano, ilustrador e autor de Cascão Temporal da Mauricio de Sousa Editora e da Panini Comics (foto: Arquivo Pessoal.)

Uma pergunta // Camilo Solano

Você lançou neste ano a HQ Temporal sobre Cascão. Na própria HQ há um pouco do bastidor de como foi a sua participação no projeto. Mas queria saber como foi a sua sensação de finalmente ter conseguido realizar esse sonho?

É uma sensação quase indescritível ter realizado esse sonho. Desde quando esse projeto começou com o Astronauta, eu venho acompanhando e sempre sonhava um dia produzir uma. E sempre admirei muito o Sidney Gusman. Tenho a sensação dele ser uma pessoa que estava em tudo que lia quando mais jovem. Em quase todo editorial de revista ou livro que eu via, sempre estava o nome dele e ficava pensando que um dia gostaria de trabalhar com aquela pessoa. Foi uma junção de realizações produzir essa HQ.
 
Capa da HQ Cidadão Incomum da Editora Guará(foto: Editora Guará/Divulgação)
Capa da HQ Cidadão Incomum da Editora Guará (foto: Editora Guará/Divulgação)
 

Cidadão Incomum – A ponta do iceberg


Expansão do livro O Cidadão Incomum (Conrad, 2017), de Pedro Ivo, a série em quadrinhos Cidadão Incomum (Editora Guará. Disponível em versão digital. Série em seis capítulos. Preço médio: R$ 6, por edição) foi lançada neste ano pela Editora Guará. A obra tem um viés mais político e social ao imaginar um Brasil, em que pessoas de diversas classes sociais, etnias e orientações sexuais desenvolvessem superpoderes. 

“Quadrinhos sempre foram políticos, desde o nascimento como críticas ao governo no século 19. Trazer questões sociais para o quadrinho é necessário para que ele continue a ser esse palco de debate e reflexão que sempre foi. É recente esse movimento de tentar separar a arte do debate público, e colocando ele aqui estamos nos posicionando como pessoas que se importam com o que se pensa para o futuro do nosso país”, explica Rapha Pinheiro, editor da Editora Guará.

A produção, inclusive, ganhará uma série televisiva, em que os detalhes ainda são secretos. Cidadão Incomum abriu os lançamentos de 2020 da Editora Guará e a escolha foi exatamente pensando em novos leitores. “Sabemos que muitas pessoas associam quadrinhos com super-heróis. No intuito de trazer novos leitores para a cena de quadrinhos nacional, queremos apresentar algo que eles conseguissem identificar facilmente como nosso. Cidadão Incomum não só é um super-herói, mas sua história está fortemente conectada com o cotidiano brasileiro, lidando com questões políticas e sociais com as quais esbarramos todos os dias”, completa.

Rapha Pinheiro, editor da Editora Guará(foto: Lidia Março/Divulgação)
Rapha Pinheiro, editor da Editora Guará (foto: Lidia Março/Divulgação)

Uma pergunta // Rapha Pinheiro


A Equipe Guará preparou uma série de lançamentos para julho. O que você pode adiantar sobre as produções?

A produção de quadrinhos é algo bem demorado. Estamos com títulos saindo semanalmente e isso só é possível porque estamos trabalhando neles desde o início do ano. No momento, enquanto os #1 estão saindo, estamos desenhando o que vai sair lá em Novembro. Dessa forma, conseguimos garantir uma publicação regular e tentar criar um hábito de leitura nas pessoas, deixando o pessoal com vontade de ler o próximo assim que sair pra não perder nas novidades. Esse modelo é usado lá fora e é difícil de emplacar por aqui porque precisa de um investimento de médio prazo. No momento, temos quadrinhos pra sair até Dezembro com certeza. Esperamos que a repercussão seja boa pra que a produção possa continuar direitinho no ano que vem.


Mais histórias em quadrinhos


O árabe do futuro 4: Uma juventude no Oriente Médio
De Riad Sattouf, a obra é o quarto volume da série e continua acompanhando o jovem Riad e a família dele na perspectiva entre os anos de 1987 e 1992 no Oriente Médio. Agora, o leitor verá o ponto de vista do protagonista na pré-adolescência. A obra é composta por 288 páginas, publicada pela Editora Intrínseca e tradução de Debora Fleck.

Beasts of Burden: Guardiões da vizinhança
De Evan Dorkin, Jill Thompson e Benjamin Dewey, a obra é uma série de fantasia e humor que traz as aventuras de bichinhos de estimação resolvendo casos horripilantes. Em 188 páginas, o lançamento é mais um volume da saga e tem Pugs, Órfão, Campeão, Dimpna, Jack, Branquelo e outros animais enfrentando ameaças sobrenaturais. Da Editora Pipoca & Nanquim.

Destino adiado
Pela primeira vez chega ao Brasil uma obra escrita e desenhada pelo quadrinista Jean-Pierre Gibrat. A graphic novel aborda uma história de amor ambientada na ocupação francesa durante a Segunda Guerra Mundial. A versão traz a reunião de dois volumes lançados originalmente em 1997 e 1999. Da Editora Pipoca & Nanquim.

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