Economia

Crise nos EUA pode terminar neste ano, mas economia deve enfraquecer

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postado em 19/05/2008 10:02
Os piores efeitos da crise nos mercados imobiliário, de hipotecas e de crédito sobre a economia dos EUA podem chegar ao fim ainda neste ano, mas o cenário econômico deve ficar ainda mais fraco e o desemprego no país deve aumentar antes de as coisas melhorarem. A avaliação consta de uma pesquisa da Nabe (Associação Nacional de Economistas Empresariais, na sigla em inglês), divulgada nesta segunda-feira (19/05). Para este ano, a expectativa dos economistas é de um crescimento econômico de 1,4%, menor que a previsão de 1,8% registrada em fevereiro. No ano passado como um todo, a economia dos EUA cresceu 2,2%, menor desempenho desde 2002, quando a expansão foi de 1,6%. Em 2006, a economia americana teve aumento de 2,9%. Para 2009, a economia deve crescer 2,3%. "Embora as crises imobiliária e nos mercados financeiros devam gradualmente perder força, a economia dos EUA deve voltar a seu ritmo saudável apenas gradualmente", disse a presidente da Nabe e economista-chefe da Ford Motor, Ellen Hughes-Cromwick, segundo a agência de notícias Associated Press (AP). Com a perspectiva de ritmo lento na economia, as empresas devem se manter cautelosas tanto em relação a novos investimentos como a novas contratações. A taxa de desemprego deve subir neste ano, em relação à de 2007: no ano passado, a taxa média ficou em 4,6%, enquanto para 2008 a previsão é de 5,3% e de 5,6% para 2009. A crise imobiliária deve chegar a seu fim neste ano, em termos de vendas de casas novas, diz a pesquisa - a dúvida para a associação é sobre em qual trimestre deste ano o ponto final da crise será atingido. Já os preços dos imóveis deverão continuar em queda neste ano e no próximo. A crise de crédito, por sua vez, deve terminar no segundo semestre deste ano. "A economia deve continuar fraca no curto prazo, mas o pior deve passar neste ano, com respeito à queda [dos preços] das casas e às restrições ao crésito", disse à AP a economista-chefe do grupo de estratégias de investimentos do Bank of America, Lynn Reaser. Para os economistas ouvidos, a fraqueza no mercado imobiliário foi apontada como o fator principal das dificuldades econômicas atuais nos EUA, seguida pelos problemas de crédito e pela alta nos preços de energia, alimentos e commodities. O galão (3,785 litros) de gasolina no país se aproxima dos US$ 4 e o preço do petróleo chegou perto dos US$ 128 na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês) na semana passada. A peevisão de inflação para este ano é de 3,6%, contra 3% na previsão anterior. Para 2009, a inflação deverá ficar em 2,4%. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) deverá manter sua taxa de juros em 2% pelo restante deste ano - o banco reduziu a taxa em 30 de abril, sétimo corte consecutivo desde setembro, quando o banco começou a reduzir a taxa (que à época estava em 5,25% ao ano). Para 2009, a expectativa é de que o banco comece a elevar a taxa, até chegar em 3%, para conter as pressões inflacionárias. Segundo a pesquisa, 56% dos economistas ouvidos dizem que a economia americana já está em recessão ou entrará em uma neste ano, mas a expectativa é de que, se houver uma, ela será curta e pouco intensa. Em fevereiro, 45% dos economistas apontavam a mesma expectativa, segundo pesquisa da associação divulgada à época. A pesquisa ouviu 52 economistas e foi realizada entre 17 de abril e 1° de maio.

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