Economia

Arábia está disposta a agir para reduzir preço do petróleo, diz Ki-moon

;

postado em 15/06/2008 17:13
A Arábia Saudita aumentará sua produção de petróleo em 200 mil barris diários em julho, em resposta à demanda dos clientes, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao fim de uma visita ao reino. "Parece que existe um mal-entendido. Os sauditas reagiram de forma responsável ao pedido de seus clientes. Assim, aumentaram a produção em 300 mil barris (diários) em junho. O aumento em julho será de 200 mil barris (diários), em resposta à demanda dos clientes, ou seja 500 mil barris diários em dois meses", explicou Ki-moon, ao citar o ministro saudita do Petróleo, Ali Al-Nuaimi. Esse aumento elevará a produção da Arábia Saudita de 9,45 milhões de barris diários (mbd) atuais para 9,75 mbd. Na sexta (13/06), o jornal The New York Times informou que a Arábia Saudita pretendia aumentar a produção de petróleo, em julho, em cerca de 500 mil barris diários. "Os sauditas responderão, positivamente, cada vez que existir um pedido da clientela, para que não aconteça uma penúria", declarou Ban à imprensa a bordo do avião que o levava a Londres, após uma visita à Arábia Saudita. Especulação "Al-Nuaimi também considera que os consumidores e os demais deveriam desempenhar seu papel para agir contra os especuladores e reduzir as taxas, resolvendo assim a crise petroleira atual", acrescentou o secretário-geral das Nações Unidas. O próprio secretário-geral da ONU disse, pouco antes, que o rei Abdullah, da Arábia Saudita, considerou "anormalmente altos" os preços do petróleo e deu a entender que seu país está disposto a aumentar sua produção. "Reconheceu que os preços do petróleo são anormalmente elevados por causa de fatores especulativos e da política de alguns governos", declarou Ban à imprensa, um dia depois de um encontro com o rei saudita. "Está disposto a fazer tudo que estiver a seu alcance para levar o preço do petróleo a níveis convenientes", acrescentou. Crise alimentar Ban contou ainda ter discutido com o monarca a relação entre o forte aumento dos preços do petróleo, a crise alimentar mundial e as mudanças climáticas. Também comunicou ao rei a preocupação de vários líderes estrangeiros com o impacto da alta do preço da commodity na segurança alimentar mundial. "Acho que (o rei) compartilha essas preocupações", completou. Ele ressaltou, contudo, que Abdullah também considera outros fatores como responsáveis pela alta dos preços dos produtos alimentares. Ki-moon disse ter lembrado ao monarca saudita o fato de que a alta dos preços dos alimentos pesa sobre os países menos desenvolvidos e trava sua capacidade para pôr em marcha as políticas previstas para atingir os Objetivos do Milênio de luta contra a pobreza. O secretário-geral comemorou a decisão da Arábia Saudita de investir no Egito, Paquistão, Ucrânia, Turquia e Sudão para reforçar a produtividade agrícola desses países e pediu a outros governos que sigam esse exemplo. Neste domingo (15/06), Ban Ki-moon também se reuniu, em Jidá, com o líder druso, Walid Jumblatt, membro da maioria parlamentar libanesa, e pediu a formação, "o quanto antes", de um governo de unidade nacional no Líbano, com base no acordo de Doha, de 21 de maio, para solucionar a crise política que paralisava esse país desde novembro de 2006. O ex-chefe da diplomacia sul-coreana fez sua segunda visita à Arábia, como secretário-geral da ONU, cargo que ocupa desde 1º de janeiro de 2007. Sua primeira viagem foi em março de 2007 para assistir a uma cúpula árabe realizada em Riad. A Arábia Saudita, principal exportador de petróleo no mundo, reunirá em Jidá (oeste), em 22 de junho, os países produtores e consumidores para debater o aumento das cotações do petróleo, atualmente perto dos US$ 140 o barril.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação