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Correio Braziliense

Caminhoneiros preparam greve para amanhã no país

 


postado em 24/06/2008 08:02 / atualizado em 24/06/2008 08:04

A exemplo de vários países da Europa, Ásia e mesmo da América do Sul, onde a alta do petróleo provocou reações devido aos impactos nos preços dos combustíveis, caminhoneiros autônomos do Brasil preparam para esta quarta-feira (25/06) uma greve pelo aumento do valor do frete. “Não bastasse o aumento de 15% no diesel, o valor do frete caiu. Queremos um referencial e não vamos negociar nada abaixo de R$ 2,50 por quilômetro rodado”, defende o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes. O reajuste do diesel nas refinarias, como forma de compensar parte dos aumentos do petróleo no mercado internacional, refletiu-se num aumento médio de 8,8% nos postos. Segundo um levantamento da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC) — que reúne empresas transportadoras —, os fretes cobrados hoje no país estão 17,6% abaixo dos valores registrados há um ano. A NTC vai se posicionar sobre o protesto em reunião marcada para hoje, mas a Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga (ABTC) entende que a reclamação é legítima. “O custo operacional está mesmo defasado, mas não creio que eles tenham condição de impor um piso”, diz o presidente da ABTC, Newton Gibson. Responsáveis por mais de 60% do transporte no Brasil, os mais de 800 mil caminhoneiros autônomos apresentaram sua força em 1999, quando fecharam as estradas e conseguiram “travá-las” durante quatro dias. Até aqui, porém, a categoria não se mostra tão unida. Entre as reivindicações daquela época, já constava a idéia de um piso nacional, mas a proposta não vingou. Ela não é unânime entre os caminhoneiros. “90% dos autônomos trabalham de forma avulsa e operam com a lei de mercado, de oferta e procura, em que cada um tenta repassar seu aumento de custo na negociação individual. Estamos na entressafra agrícola, então é natural que nesse período sobre caminhão e falte carga, o que derruba o frete. E o reajuste do diesel veio num momento ruim. Mas não quer dizer que seja possível adotar-se uma tabela nacional”, avalia o presidente da Federação Interestadual dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Fenacam), Diumar Bueno. Não é de se estranhar, portanto, que sindicatos ligados a uma ou outra entidade tenham uma atuação diferente amanhã. Em Brasília, o sindicato local, que representa 1,5 mil caminhoneiros do Distrito Federal e Entorno, garante que está fora da paralisação. “Até estranhamos esse protesto, porque as negociações estão acontecendo caso a caso. Em Brasília, não vamos parar”, promete o presidente do sindicato, Valdelino Barcelos. Fonseca, da Abcam, não se abate. Dos mais de 800 mil caminhoneiros autônomos do país, acredita que pelo menos os 100 mil filiados à entidade vão cruzar os braços nesta quarta-feira. “Tenho confiança de que muitos vão aderir. Até porque essa história de livre mercado é mito no setor de transportes. Quem contrata os autônomos são empresas transportadoras, que já têm contratos anuais com os embarcadores, só que os donos das cargas não querem saber de reajuste. Para compensar, as transportadoras acabam pegando os trechos mais rentáveis e jogam para baixo o resto do mercado”, reclama.

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