Jornal Correio Braziliense

Economia

Governo não deixará déficit ultrapassar 1,5% do PIB, diz presidente do BNDES

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta terça-feira (24/06) que o governo "está atento" para que o déficit de conta corrente não ultrapasse 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo dados divulgados ontem, o déficit está em US$ 14,7 bilhões - a previsão para o ano é de US$ 21 bilhões de saldo negativo. "Estamos atentos (ao déficit). Não é prudente admitir um déficit muito superior a 1,5% do PIB", disse Coutinho durante evento em São Paulo que discutiu os direitos humanos e a responsabilidade social. "Países que permitiram déficits muito altos, como de 4% ou 5% do PIB, vulnerabilizaram de maneira muito rápida as suas contas externas", afirmou. "O Brasil tem um colchão [reservas internacional] de quase US$ 200 bilhões que garante uma tranqüilidade, mas isso não significa que podemos brincar." Segundo ele, o plano do governo para reduzir o déficit é ampliar ainda mais as exportações, dando destaque não só aos produtos agrícolas, mas principalmente os industrias. Coutinho rejeitou a possibilidade de alterar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje em 6,25% ao ano. "Não vamos mudar, muito menos subir a TJLP", disse ele, garantindo que não faltará dinheiro com taxas apenas com TJLP para três "prioridades": investimentos em infra-estrutura, principalmente energia; aumento de capacidade instalada das indústrias; e investimentos em inovação tecnológica. Sobre a inflação, Coutinho disse que a participação do BNDES em evitar que a alta dos preços se propague fica no seu fomento cada vez maior dos investimentos, garantindo, segundo ele, que a oferta acompanhe a demanda. "Felizmente temos 12 trimestres em que o investimento cresce a uma taxa duas vezes e meia mais alta que o PIB, e isso tem permitido que a chamada taxa de investimento tenha subido. É fundamental que este esforço continue."