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Correio Braziliense

Bolha global: efeitos em Brasília

 


postado em 05/10/2008 10:01 / atualizado em 05/10/2008 10:06

A crise nos mercados mundiais mostra suas garras reais e, quem diria, já ameaça os negócios em Brasília. Indústrias do Distrito Federal, lojas e agências de turismo temem que o estouro da bolha imobiliária americana prejudique os negócios. Com a alta do câmbio e a possível retração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, as dúvidas em relação ao futuro aumentam. Analistas de varejo dizem que, em relação aos resultados deste ano, o bom desempenho do comércio está assegurado, mas nas ruas o que se vê não é exatamente isso. Um dos efeitos da turbulência externa pode ser especialmente ruim para quem é apaixonado por Coca-Cola. Alguns insumos usados na produção do refrigerante são importados, ou seja, sofrem influência direta do aumento do dólar. Na fábrica instalada no DF, apenas os investimentos não serão afetados — justamente porque foram feitos em meses de câmbio mais leve. “Todo o nosso maquinário novo foi encomendado entre o fim do ano passado e o começo deste ano, pagamos em euro, mas com a taxa mais em conta”, revela Renato Barbosa, diretor comercial da Brasal Refrigerantes. Na produção das bebidas, no entanto, o novo câmbio terá um papel negativo. As latas de alumínio e as resinas para a fabricação das garrafas PET são trazidos de fora e devem, pelas previsões de Barbosa, subir. O açúcar, em queda no mercado internacional, também vai ficar mais caro porque os preços pagos pela fábrica levam em conta as cotações dessa commodity na Bolsa de Nova York. Nas previsões do diretor comercial, as matérias-primas subirão, este mês, até 16%. “Isso ainda não afetou o preço do refrigerante, mas já pressupomos um aumento entre 4% e 5% que pode ser repassado ao consumidor”, afirma o executivo. A abrupta alta da moeda americana, que em uma semana recuperou toda a desvalorização do ano e ultrapassou os R$ 2, bateu nas agências de turismo do DF. O primeiro reflexo é, naturalmente, a troca dos destinos internacionais por viagens pelo país. Mas turistas que ainda não tinham pago os pacotes reservados também tentam concluir o negócio num câmbio mais favorável. “Por enquanto não dá para medir o baque nas vendas, embora seja provável a influência nos pacotes de fim de ano. Mas um dos maiores movimentos de procura com a alta do dólar é de pessoas que tentam fechar os pacotes no dólar do dia em que fizeram a reserva. Só que as empresas não têm como arcar com essa diferença”, explica a diretora da Buriti Turismo, Valquíria Almeida. É certo, porém, que os movimentos do dólar provocam reações quase imediatas nos consumidores. “O efeito é rápido, e quem vende muitos pacotes para o exterior percebe na hora. O principal deles é a troca dos destinos. Passageiros que estavam planejando uma viagem a Buenos Aires (Argentina) agora preferem optar por um destino nacional, como Porto de Galinhas (PE)”, adverte a gerente da Taiana Turismo, Rosângela Barros. Casa e decoração Refém de produtos fabricados fora do Brasil ou de componentes específicos que são importados, o segmento de casa e decoração está apreensivo. Metais para banheiros, papéis de parede, dobradiças e corrediças utilizados na montagem de móveis finos são fortemente influenciados pelo sobe-e-desce do dólar. Como os estoques são reduzidos, as empresas do setor acabam obrigadas a conviver — na linha de frente — com o estresse dos mercados. Se a crise americana não for contida, e o câmbio no Brasil fugir ao controle, a tendência é de que cedo ou tarde ocorram reajustes. Até agora, conforme a Associação Brasiliense de Designers de Interiores (Abradi), essa contaminação não ocorreu. “Ainda não está aumentando nada, mas a gente já colocou as barbas de molho”, resume Ieda Garcia, presidente da entidade. Nas vitrines, apesar de todo o pessimismo que toma conta das economias mundiais, os preços estão “comportados”. Em um cenário pessimista, a indústria local de designer pode recorrer a uma velha alternativa: substituir itens importados por nacionais.

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