postado em 15/10/2008 08:54
O turbilhão que assola o mercado internacional encareceu todas as operações de crédito do mercado brasileiro, em setembro, pelo quinto mês consecutivo, revela pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A taxa média de juros das operações de crédito para pessoa física passou de 7,39% para 7,46% ao mês, a maior desde novembro de 2006. A diferença de 0,07 ponto percentual pode parecer pouco, aparentemente, mas ao projetar o valor em 12 meses, os juros cobrados sobem de 135,27%, em agosto, para 137,12%, no mês passado.
Quem vai comprar algo no crediário das lojas também pagará mais caro. O levantamento da Anefac mostra que os juros do comércio tiveram elevação mensal de 6,17%, em agosto, para 6,26% em setembro. A maior taxa desde novembro de 2003. Um dos grandes vilões do orçamento, o cartão de crédito, também não poderia ficar de fora. Os juros cobrados pelo pagamento mínimo da fatura saltaram de 10,44% para 10,46% mensais, em setembro. Recorde desde novembro de 2003. Seu mais fiel aliado, o cheque especial, também teve elevação dos juros de 7,82% para 7,88%. Os maiores desde fevereiro de 2007. Na hora de recorrer ao Crédito Direto ao Consumidor (CDC) nos bancos, mais aumentos. A taxa mensal passou de 3,13%, em agosto, para 3,19%, em setembro. Também recorde desde fevereiro de 2007. Nos empréstimos pessoais oferecidos pelos bancos, salto de 5,41% ao mês para 5,5%. Patamar que não era atingido desde novembro de 2006. Nas financeiras, a conta é ainda mais salgada. Os juros mensais passaram de 11,36% para 11,48%, taxa que não era praticada desde novembro de 2006.
A crise financeira internacional e a elevação da taxa básica de juros (Selic) de 13% para 13,75% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro, são apontadas por Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, como fatores cruciais para essa elevação generalizada de juros no mês passado. ;Na realidade, são as duas coisas. A restrição do crédito e o encurtamento dos prazos para pagamento têm a ver com a crise financeira internacional e o aumento dos juros com a alta da Selic. A pesquisa de setembro não pegou o período mais agudo da crise. Na próxima pesquisa, de outubro, veremos os impactos reais no mercado brasileiro;, pondera.
A pesquisa da Anefac também constatou fenômenos que vêm sendo diariamente revelados pelas reportagens do Correio sobre os efeitos da crise financeira internacional no bolso do consumidor, como a maior seletividade das instituições financeiras para liberação de crédito. Sem querer correr maiores riscos nesse momento delicado da economia mundial, elas estão mais atentas ao grau de endividamento dos consumidores e ao seu comportamento de renda nas novas contratações de empréstimos. Em muitos casos, além de uma maior seletividade, já se observam maiores restrições aos financiamentos. A redução de prazos de financiamentos é outra realidade. No caso de veículos, os prazos máximos foram reduzidos de 72 meses, em agosto, para 60 meses, em setembro. Para bens diversos (linha branca, linha marrom, móveis, computadores) o prazo encolheu de 36 para 24 meses.
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