postado em 15/10/2008 12:06
Durou pouco o alívio dos investidores com as medidas trilionárias dos governos europeus e dos EUA para resgatar o sistema financeiro. A perspectiva de que as economias centrais caiam numa recessão desanima o investidor, que vende ações após uma alta de 16,7% em apenas dois dias na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em mais um dia turbulento, o câmbio atinge R$ 2,17.
O Ibovespa, principal termômetro da Bolsa paulista, desvaloriza 8,01% e alcança os 38.237. pontos. O giro financeiro é de R$ 2,92 bilhões.
O dólar comercial é negociado a R$ 2,165 na venda, com avanço de 3,44%. A taxa de risco-país marca 444 pontos, número 0,68% acima da pontuação anterior.
As Bolsas européias encerram os negócios com fortes quedas, a exemplo de Londres (declínio de 7,15%), Paris (baixa de 6,81%) e Frankfurt (retração de 6,49%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York opera com perdas de 3,73%.
Os números mais recentes da economia americana preocuparam ainda mais os investidores, após um alívio inicial com os mais de US$ 2 trilhões já anunciados pelos governos europeus e dos EUA para resgatar o sistema financeiro. Economistas temem que as economias centrais do planeta não escapem da vala comum de uma recessão, ou de uma desaceleração brusca do crescimento, em mais um desdobramento da crise dos créditos "subprimes".
O próprio secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, já admitiu que, embora a compra de ações bancos contribua para estabilizar o sistema financeiro, a situação econômica continua difícil. "As pessoas devem saber que temos pela frente vários meses com dificuldades", disse ele.
Bancos e varejo nos EUA
As notícias do setor financeiro azedam o humor dos investidores nesta quarta-feira: dois grandes bancos americanos revelaram os efeitos da crise em seus balanços. O lucro do Wells Fargo caiu 24% (mas superou as estimativas), enquanto o JP Morgan registrou um resultado 84% abaixo dos números de 2007 por causa de problemas com empréstimos.
Para piorar o cenário, a macroeconomia também não fornece melhores números. As vendas no varejo dos Estados Unidos caíram com a maior intensidade em três anos: uma retração de 1,2%, ante a expectativa de um declínio de 0,7%, estimado por analistas do setor financeiro.
Os dados confirmam a tendência atual dos norte-americanos de reduzir seus gastos ante a crise financeira e a dificuldade de ter acesso ao crédito. O resultado apresenta um aumento significativo do risco de recessão nos Estados Unidos, uma vez que o consumo responde por dois terços da atividade econômica do país.
Analistas têm elogiado as iniciativas dos governos europeus e dos EUA para capitalizar os bancos às voltas com os problemáticos créditos "subprimes". O montante superior a US$ 2 trilhões realmente funcionou para acalmar os mercados quanto a uma possível derrocada do sistema financeiro global.
Os economistas, no entanto, apostam que o ´lado real´ da economia não se mantenha a salvo dos efeitos da crise financeira e já trabalham com a perspectiva de que as economias centrais (EUA e Europa) caiam em recessão ou, no mínimo, tenham uma forte desaceleração do crescimento.