A expectativa de uma recessão nas maiores economias mundiais provoca pânico nas Bolsas de Valores ao redor do mundo nesta sexta-feira (24/10). Hoje, a notícia de que o Reino Unido registrou a primeira queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 16 anos fez as Bolsas européias desabarem, contaminando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já em suas primeiras operações. O câmbio registra forte alta, enquanto o risco-país dispara.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown já havia alertado para a perspectiva de que o Reino Unido entre em recessão. A declaração de Brown reforçava outra advertência dada no dia anterior pelo presidente do banco central inglês, Mervyn King, de que "parece provável que a economia do Reino Unido esteja entrando em uma recessão".
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, retrocede 4,94%, para os 32.148 pontos. Nesta quinta-feira (23/10), a Bolsa fechou em retração de 3,57%.
As principais Bolsas européias despencam, a exemplo de Londres (declínio de 8,92%), Paris (queda de 8,98%) e Frankfurt (recuo de 9,30%). Na Itália, a Bolsa local retrai 7,71%, enquanto o mercado espanhol cede 7,46%.
O estresse, na verdade, começou pelas Bolsas asiáticas: os maus resultados de empresas como PSA Peugeot-Citroën e Air France-KLM elevaram o grau de nervosismo dos investidores locais. Em Tóquio, o índice Nikkei amargou perdas de 9,60%, enquanto em Hong Kong o índice Hang Seng caiu 8,30%.
A Bolsa brasileira ainda deve ser afetada pela desvalorização das commodities (matérias-primas), num mercado em que as ações mais negociadas são justamente de empresas ligadas ao setor de petróleo, gás e minerais metálicos. O petróleo é o exemplo mais visível da correção dos preços, após os picos históricos do primeiro semestre: na praça de Nova York (Nymex), a cotação do barril despenca mais de 6%, apesar do corte na produção decidido pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
O dólar comercial é cotado a R$ 2,354 na venda, com avanço de 2,21% sobre a cotação de ontem. A taxa de risco-país marca 705 pontos, número 7,30% acima da pontuação anterior.
O governo anunciou ontem que deve vender US$ 50 bilhões em contratos de "swap" cambial, numa tentativa de deter a escalada do dólar. Esses contratos oferecem proteção aos investidores contra a alta da moeda e, portanto, tendem a diminuir as pressões sobre a cotação.
Empresas
A temporada de divulgação dos balanços trimestrais é, hoje, uma das principais fontes de estresse no mercado. A cada número divulgado, os investidores e analistas vêem reforçado ou amenizado seu pessimismo quanto ao ritmo de desaceleração econômica mundial. Ontem, a americana Xerox revelou lucro líquido de US$ 229 milhões no acumulado de nove meses do ano, resultado 70% abaixo do registrado em idêntico período de 2007.
No front doméstico, a Vale do Rio Doce surpreendeu e anunciou lucro de R$ 12,433 bilhões no terceiro trimestre de 2008, um incremento de 167% sobre o resultado para o mesmo período no ano passado. Além dos ganhos operacionais, a desvalorização do real ante o dólar também colaborou para o resultado positivo. Segundo a mineradora, esse efeito contribuiu para elevar o ganho no trimestre em R$ 2,849 bilhões.