Economia

Bradesco deve ir às compras após fusão entre Itaú e Unibanco

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postado em 04/11/2008 08:38
O maior perdedor com a fusão entre o Itaú e o Unibanco foi o Bradesco, que, segundo os analistas, terá de rebolar para reassumir o posto de maior banco privado do país. A expectativa é de que o Bradesco entre com todas as forças na disputa com o Banco do Brasil pelo controle da Nossa Caixa, instituição controlada pelo governo do Estado de São Paulo, e trave, com o mesmo BB, uma briga em torno do Banco Votorantim, muito ativo no financiamento a veículos. Também devem entrar na lista de possíveis aquisições do Bradesco, os bancos Safra e Citibank. Nos últimos anos, o Citi, que chegou a ser a maior instituição estrangeira em atuação do Brasil, encolheu significativamente e pode sumir do mercado bancário brasileiro caso ceda aos encantos da concorrência. Mas não será fácil o avanço do Bradesco. Na avaliação dos analistas, a instituição com sede na Cidade de Deus (Osasco, São Paulo) terá que mudar sua postura e se ;reinventar;. ;O Bradesco tem uma postura muito conservadora, uma estrutura pesada;, afirmou José Roberto Martins, consultor da Global Brandings, José Roberto Martins. ;Qual será o discurso do Bradesco daqui por diante? Temos de lembrar que a instituição sempre se orgulhou de se apresentar para a clientela como o maior banco privado do Brasil. O que dirá agora?;, destacou. A fusão entre o Itaú e o Unibanco, desenhada há 15 meses por Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, resultou em um gigante com R$ 575 bilhões em ativos, mais de R$ 150 bilhões do volume de recursos em poder do Bradesco. Para José Luiz Rodrigues, presidente da Consultoria JL Rodrigues, o Bradesco sempre mirou os menores bancos, ao contrário do Itaú, que fez tacadas de mestre, como a compra do BankBoston. ;O Itaú fez aquisições que sempre o ajudaram a avançar muito no mercado;, explicou. Na avaliação de Celso Grisi, economista do Instituto de Pesquisa Fractal, o Bradesco estava em uma situação muito tranqüila, que ruiu da noite para o dia. E o pior é que, além de ter perdido a liderança para o Itaú-Unibanco, está sendo ameaçado pelo espanhol Santander, que assumiu o controle do Banco Real. ;Creio que, apesar de todas as dificuldades, o Bradesco deve continuar com a sua estratégia de crescimento. Mas não será fácil. Uma boa opção seria o banco focar na internacionalização ou mesmo ampliar sua atuação em mercados complementares, como o de seguros e previdência privada;, afirmou Grisi.

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