Economia

Bolsas européias caem com efeitos da crise sobre resultados de empresas

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postado em 11/11/2008 16:15
As Bolsas européias fecharam em queda nesta terça-feira, pela primeira vez após três sessões em alta. Os papéis dos setores financeiro e de commodities foram os que mais perderam, devido à incerteza dos investidores quanto aos efeitos da crise financeira sobre os resultados das empresas e sobre a economia mundial. A Bolsa de Londres fechou em queda de 3,57% no índice FTSE 100, ficando com 4.246,69 pontos; a Bolsa de Paris caiu 4,83% no índice CAC 40, fechando com 3.336,41 pontos; a Bolsa de Frankfurt despencou 5,25% no índice DAX, para 4.761,58 pontos; a Bolsa de Milão caiu 5,13% no índice MIBTel, ficando com 16.197 pontos; a Bolsa de Zurique teve baixa de 3,45%, encerrando o dia com 5.880,79 pontos no índice Swiss Market; e a Bolsa de Amsterdã teve baixa de 3,74% no índice AEX General, indo para 257,13 pontos. Os papéis do banco italiano Intesa Sanpaolo caíram 17%, depois de uma queda de 54% em seus lucros. No setor de commodities as ações da mineradora BHP Billiton e as da britânica British Gas caíram mais de 9%. O otimismo dos investidores quanto ao pacote de US$ 600 bilhões apresentado pelo governo da China diminuiu, depois de ter elevado os ânimos dos investidores ontem. O governo chinês pretende empregar o dinheiro em obras de infra-estrutura, o que deve manter a demanda do país por commodities. Mas a perspectiva de recessão global continua a preocupar os mercados mundiais. Hoje a Nokia Siemens Networks --"joint venture" entre a fabricante finlandesa de celulares Nokia e o conglomerado alemão Siemens-- informou que deve cortar 1.820, principalmente na Finlândia e na Alemanha. O grupo ainda mantém o objetivo de eliminar 9.000 empregos --o quadro de funcionários contava com cerca de 60 mil pessoas até o fim de setembro. Segundo a empresa, 750 vagas da empresa deverão ser cortadas na Finlândia e outros 500 em Munique, na Alemanha, com o fechamento de uma unidade de produção no país. Outros 50 postos de trabalho deverão ser cortados no Egito e 20 nos EUA. As ações da seguradora Allianz caíram 8,1%; as da Swiss Life Holding, por sua vez, caíram 8,2%. Ainda no setor financeiro, as ações do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria caíram 9%; o banco americano Merrill Lynch rebaixou a classificação dos papéis do BBVA, dizendo que as operações do banco espanhol no México serão afetadas pela crise. Estados Unidos Em Nova York, as Bolsas tinham desempenho fraco com a notícia de que a construtora Toll Brothers, especializada no segmento residencial do mercado imobiliário, prevê que sua receita trimestral caiu 41% na comparação com o resultado de um ano antes. Os investidores ainda avaliam a decisão do Federal Reserve (Fed, o BC americano) de autorizar que a empresa de cartões de crédito American Express (AmEx) se torne um banco comercial. A AmEx espera, assim, ter acesso aos fundos do governo para evitar que outros bancos quebrem --o que ocorreu com o Lehman Brothers e o Washington Mutual nos últimos meses. A mudança da AmEx vem um dia depois de o Fed ter quase dobrado a ajuda que concedeu à seguradora AIG (American International Group). Ontem, o Departamento do Tesouro e o Fed anunciaram que empregarão US$ 40 bilhões adicionais para a aquisição de ações preferenciais na empresa. O setor automobilístico ainda é fonte de preocupação para o mercado. A fabricante americana de veículos General Motors anunciou ontem que demitirá mais 1.900 funcionários das suas fábricas na América do Norte, dias depois de anunciar que, sem a ajuda governamental, poderá não ter a liquidez necessária para continuar operando no ano que vem. Na sexta-feira, a empresa já havia anunciado o corte de outros 3.600 postos de trabalho, além de um prejuízo de US$ 2,5 bilhões durante o terceiro trimestre.

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