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Correio Braziliense

Remédio está mais caro por causa da crise

 


postado em 12/11/2008 08:17 / atualizado em 12/11/2008 08:28

A crise financeira internacional já provoca aumento de preços de remédios. O valor máximo que pode ser cobrado continua o mesmo. É controlado pelo governo e o reajuste só ocorre em março. Porém, o consumidor que for comprar medicamentos este mês poderá pagar mais caro. As promoções em farmácias e drogarias começam a desaparecer, conseqüência do corte de descontos dos distribuidores, que estão tendo dificuldade para obter crédito e manter as mesmas condições de venda praticadas antes de crise. A Drogaria Rosário já está mudando a tabela de preços. “Fomos surpreendidos no dia 1° com o corte de mais da metade das condições comerciais pelo três distribuidores ao mesmo tempo. Ele reduziram 40% a 50% do desconto em todos os medicamentos, mas os maiores efeitos são para aqueles de maior giro, que são os de uso contínuo, como os de controle da pressão arterial e diabetes”, afirma Álvaro Júnior, diretor-executivo da Drogaria Rosário e vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Distrito Federal (Sincofarma-DF). Sem amparo do distribuidor, os preços no balcão das farmácias tiveram que ser alterados. “Os descontos que eram de 15% a 20% sobre o preço máximo de tabela, hoje caíram para 5% a 10%. Se antes davam 30%, hoje a média é de 20%. Estamos fazendo de tudo para não mexer no prazo. Se não, complica ainda mais”, observa. Turbulência Na rede de drogarias Distrital, os descontos, que variavam de 25% a 30%, caíram para 6% a 15%, no máximo. “O problema é geral, pois os descontos dos distribuidores caíram drasticamente. O mercado está muito turbulento. Cada vez mais, teremos os preços dos remédios bem próximos aos da tabela. Não dá para manter os preços anteriores se houve redução dos descontos, sem falar nos custos elevados”, ressalta Felipe de Faria, proprietário da Distrital e presidente Sincofarma-DF. A Rede da Economia reclama da redução de 15%, que antes recebia, para praticamente zero. “Os distribuidores reduziram os descontos e estamos passando esse sufoco. Tivemos que mudar tudo. Se não temos essa vantagem, não temos como concedê-la ao cliente”, afirma Raimundo Nonato Alves, presidente da Rede da Economia. Quem precisa tomar medicamentos diariamente já sente no bolso os efeitos da conta da farmácia. “O preço dos remédios subiu muito. O que tomo para os rins aumentou de R$ 48 para R$ 70”, reclama o aposentado Eliezer Pinto Botelho. Com o benefício de R$ 415, a sorte é que ele consegue do governo os medicamentos para tratamento da diabetes. O aposentado Eurico Cruz Marques tem a mesma queixa. Como sofreu um acidente vascular cerebral, ele precisa usar diariamente medicamentos para aumentar a circulação do sangue e oxigenar o cérebro, além de um tranqüilizante para dormir. “Em setembro gastei uns R$ 90 e em outubro paguei R$ 100. Este mês ainda não comprei, mas não gostei dessa notícia de aumento não”, comenta. A aposentada Amália Alves dos Santos está preocupada com o fim das promoções nas farmácias. “Sempre fico de olho, com o objetivo de comprar mais de uma caixa e aproveitar o preço, pois se compramos remédio por um valor em um mês, no outro pagamos mais”, diz. Ela gasta mais de R$ 80 com remédios para controle da pressão. “No posto de saúde, consigo o Captopril, mas não estava adiantando nada. Tive que passar para outro, que é caro. Mas se eu deixar de tomar, dá problema”, observa. Concorrência Há farmácias que ainda não reduziram os descontos. Mas elas só não o fizeram porque ainda têm estoques com o preço antigo ou porque estão aguardando a estratégia das concorrentes para não perder clientes. A Magnafarma ainda não suspendeu o desconto de 5% no balcão e 10% com senha do gerente, mas o proprietário Adalberto Santana pondera que vai ser difícil segurar por muito tempo. “Tenho três concorrentes muito próximos, mas como vou dar desconto de 15%, 20%, se me dão no máximo 3% ?”, questiona. Segundo Natanael Augusto, gerente-comercial da Drogaria Santa Marta, a rede ainda não alterou preços nem condições de pagamento por causa da concorrência de redes de fora, como a Drogasil. “Para concorrer, tem que manter o preço”, afirma. A Drogaria Nacional só repassou 1% a 2% para os preços dos remédios, apesar de os descontos dos distribuidores terem despencado de 9% a 11% para 4%. “Por enquanto, estamos absorvendo a diferença. Mas vai chegar uma hora que a gente vai ter que repassar”, avisa. A Drogasil informou que não teve nenhuma mudança na relação com os fornecedores. Portanto, isso não teve impacto sobre os preços da loja. Mas fontes do mercado asseguram que a rede de farmácias já estuda mudanças na política de descontos. Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense

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