Jornal Correio Braziliense

Economia

Gasolina não baixa na bomba mesmo com preço em queda no mercado internacional

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O Ministério da Fazenda vinha contando com a queda dos preços dos combustíveis, pelo menos até o início de 2009, para que a inflação permitisse ao Banco Central (BC) iniciar o ciclo de corte de juros a partir do segundo trimestre, mas teve de botar as barbas de molho. Com claras dificuldades no caixa para tocar seus projetos de investimentos, a Petrobras avisou ao governo que não tem a menor condição de reduzir os preços da gasolina e do diesel por um bom tempo, mesmo os preços do petróleo tendo caído, desde julho, quase US$ 100, atingindo agora US$ 50 o barril. A diretoria da estatal justifica que passou um bom tempo com defasagem nos preços dos combustíveis, a não repassar aos consumidores a forte alta do petróleo iniciada em 2007. O momento, agora, na avaliação da empresa, é de recuperar o que perdeu nesse período. Em maio, com o barril do petróleo bem acima de US$ 100, a companhia elevou em 10% o preço da gasolina nas refinarias e em 15%, o diesel. Mas os consumidores não sentiram o impacto do reajuste da gasolina, pois o governo reduziu a Cide, o imposto cobrado sobre o litro do combustível. No caso do diesel, o repasse foi imediato nas bombas dos postos: 8,8%. Naquele mês, segundo os especialistas, as perdas da Petrobras se reduziram de R$ 968,7 milhões para R$ 525,3 milhões. Pelas contas do economista Fábio Silveira, da RC Consultores, o preço da gasolina no Brasil está hoje 52% acima da média do mercado externo. Em outubro, a diferença era de, no máximo, 9%. Já o óleo diesel está 19% mais caro no país. Esses números estão muito próximos dos que circulam na Secretaria de Política Econômica, da Fazenda, e que vinham sendo vistos como uma ;janela de oportunidade; para que o BC pudesse levar adiante a promessa de puxar a inflação de 2009 para o centro da meta, de 4,5%, sem a necessidade de promover novo aperto monetário. Impacto Segundo o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, os combustíveis representam de 4% a 5% do cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ou seja, para cada 10% de aumento ou redução dos preços nas bombas, a inflação pode subir ou cair de 0,4 a 0,5 ponto percentual. ;Trata-se de um impacto substancial;, afirmou. O comportamento dos combustíveis também funciona como importante sinalizador para as expectativas dos agentes econômicos. Se há perspectiva de baixa de preços, as projeções de inflação tendem a cair, facilitando o trabalho do BC no manejo da política de juros. O economista lembrou ainda que a Petrobras vem reduzindo os preços dos demais combustíveis, como o querosene de aviação, que ficará 17,8% mais barato a partir de 1º de dezembro. Thadeu não acredita que a posição da Petrobras será sustentável por muito tempo. ;Se a cotação do petróleo continuar no nível atual até março, ela terá condições de fazer até três cortes de 10% no preço dos combustíveis;, disse. Para Fábio Silveira, a previsão é de que tanto os preços do diesel quanto os da gasolina comecem a cair no início do ano que vem, pois não há perspectivas de recuperação nas cotações do petróleo. Os maiores consumidores de combustíveis, os países ricos (Estados Unidos, Japão e Europa) estão em recessão e reduzindo a demanda por esses produtos.