postado em 29/11/2008 13:38
Num momento em que empresas no mundo inteiro enfrentam restrições para obter crédito junto às instituições financeiras, a Oi conseguiu levantar R$ 2 bilhões para concluir o processo de compra da Brasil Telecom. A operadora fará emissão de 80 notas promissórias, com valor nominal de R$ 25 milhões, e os detentores desses papéis, que têm vencimento em 360 dias, irão receber o equivalente à variação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) mais 3% ao ano. Bradesco BBI, Itaú BBA e Santander serão os coordenadores da captação.
;É uma linha mais cara do que a gente gostaria. Seria melhor uma linha mais longa e mais barata, porém, neste momento, dada a não liqüidez, é uma boa notícia que empresas continuam conseguindo crédito;, ressaltou o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, em entrevista ao Correio. ;Acho que é um momento de muita cautela, mas somos investment grade, nosso plano de negócios é muito bom, temos vários negócios bastante estabilizados, nossa produtividade é boa. Fomos a esses bancos comerciais e conseguimos a linha. A gente se aproximou deles, só deles, era um finalzinho que faltava, só para dar conforto operacional. Obviamente, se surgir oportunidade de pegar dinheiro mais longo e barato, pegamos e liqüidamos a atual;, disse. Questionado sobre as dificuldades para a obtenção do crédito, Falco destacou que ;falar que banqueiro é fácil, não tem como declarar isso%u2026 Banqueiro é banqueiro. Na tristeza ou na alegria, se eles puderam ganhar mais, vão ganhar mais. Foi uma negociação. Nós, por outro lado, somos um bom crédito;.
Ao todo, as captações da Oi no mercado chegaram a R$ 9,9 bilhões, montante ao qual serão adicionados cerca de R$ 3 bilhões oriundos do caixa da companhia. O processo total de aquisição da BrT, incluindo as ofertas aos minoritários, é de cerca de R$ 13 bilhões. Segundo Falco, os R$ 2 bilhões estão planejados para serem usados no fim do primeiro semestre. ;Trabalhamos com antecedência. A gente não tem mesa de operação na companhia, a gente não fica fazendo apostas no mercado, não temos derivativos exóticos;, disse.
O prazo para conclusão do processo de compra da BrT termina no dia 21 de dezembro. Falco disse que não tem condições de adiantar nada sobre o prazo da aprovação do negócio pela agência, mas observou que os recentes rumores de compra da TIM Brasil pela Telefónica podem ajudar.
;Esse negócio de TIM, não tem como checar a veracidade da informação, pois são só rumores, mas só reforça o nosso discurso de tendência de consolidação. E os caras, quase que para nos ajudar neste momento, demonstram. Se a gente tivesse pedido para eles fazerem esse movimento, não teriam feito;, ironiza. Ontem, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse que a Anatel decidirá até o dia 15 sobre o processo de compra. Na quinta-feira, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, antecipou que a decisão sairia até o fim do ano, mas não previu dia específico.