postado em 16/12/2008 18:51
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tomou novo fôlego com a decisão surpreendente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que ajustou a taxa básica de juros dos EUA para o menor nível da história, uma faixa entre zero e 0,25% ao ano. A maioria dos economistas do setor financeiro estimava um ajuste para 0,50%. O câmbio fechou a R$ 2,37.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, avançou 4,37% para os 39.993 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,42 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York, ainda aberta, disparava 4,26% por volta das 18h45.
"A primeira reação foi bastante positiva, mas a decisão é, na verdade, uma faca dois gumes. Realmente, o corte traz um grande alívio: na visão do mercado, o Fed acertou no "timing´ de sua decisão, ao acelerar um processo que já ocorreria, dado um certo horizonte de tempo. Só que ele gastou munição. A "bala monetária´ está chegando a zero", avaliou o economista Frederico Turolla, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,372 para venda, em queda de 0,71%. A taxa de risco-país marca 491 pontos, número 1,97% abaixo da pontuação anterior. O BC avisou que vai realizar amanhã, a partir das 11h30, três leilões de venda de moeda com recompra prevista para os meses de fevereiro, março e abril de 2009, sem informar imediatamente a oferta de dólares. A autoridade monetária também vendeu moeda, aceitando ofertas por R$ 2,360 (taxa de corte).
Fed
O mercado já contava com uma redução dos juros primários nos EUA, mas a opção do Fed por uma "política de juro zero" foi ainda além do que esperavam os economistas do setor financeiro. Mas nos últimos dias, o noticiário econômico acumulou indicadores negativos que sustentavam uma opção pelo relaxamento da política monetária.
Ontem, o próprio Fed informou que a produção industrial dos Estados Unidos sofreu retração de 0,6% em novembro, a terceira queda desde junho. E hoje, o Departamento do Trabalho mostrou que os preços ao consumidor nos EUA tiveram uma queda de 1,7% no mês de novembro. Esse foi o maior recuo na comparação mês a mês já registrado desde que a pesquisa de preços começou a ser feita, em 1947. Não foi a pior notícia do dia: o banco Goldman Sachs, um dos maiores dos Estados Unidos, informou hoje o seu primeiro prejuízo trimestral desde quando lançou ações em Bolsa de Valores, em 1999.
Front doméstico
No front doméstico, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que inflação medida pelo IGP-10 teve variação de 0,03% em dezembro, ante 0,73% em novembro. No ano, o indicador teve variação positiva de 10,27%, a maior taxa desde 2004. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que as vendas do comércio no país caíram 0,3% em outubro na comparação com o mês anterior.
Essa é a primeira queda depois de sete meses em expansão, sendo que outubro foi o primeiro mês cheio desde o agravamento da crise de crédito nos Estados Unidos, em meados de setembro.