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Correio Braziliense

Viagens ao exterior são canceladas

Brasileiros desistem de pacotes e déficit causado pelos turistas cai de US$ 313 milhões para US$ 128 milhões


postado em 20/12/2008 08:22 / atualizado em 20/12/2008 08:32

Os efeitos da crise internacional estão cada vez mais presentes no dia-a-dia dos brasileiros. Sobretudo daqueles que tinham viagens programadas para o exterior. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, diante da forte alta do dólar e da perspectiva de desemprego maior no próximo ano, muitas pessoas estão preferindo cancelar pacotes ou planos de viagem para fora país temendo arcar com dívidas além da capacidade de pagamento. Esse movimento, acrescentou, ficou evidente a partir de novembro e se consolidou nos primeiros 19 dias deste mês. O resultado foi uma queda brutal no déficit da conta viagem que, até novembro, vinha registrando um recorde atrás do outro. Entre janeiro e outubro, na média, os gastos de brasileiros no exterior superaram as receitas com turistas estrangeiros no país em US$ 313 milhões por mês. Em novembro, especificamente, a diferença recuou para US$ 128 milhões — queda de 59%. Neste mês (até ontem), o déficit cravava apenas US$ 69 milhões. “Realmente, de novembro para cá, houve uma redução pronunciada no déficit da conta viagem. A alta do dólar, a renda e as expectativas negativas dos consumidores em relação ao futuro foram determinantes para esse recuo.” Por outro lado, as receitas com turistas estrangeiros tendem a aumentar, já que o câmbio ficou favorável a eles. “É verdade que os estrangeiros também estão sofrendo com a crise. Mas muitos deles continuarão viajando e se aproveitando do câmbio”, assinalou. Diante desse quadro, o BC refez os cálculos e decidiu mudar as projeções. Até o mês passado, a instituição apostava em um buraco de US$ 6,2 bilhões. Agora, estima déficit de US$ 5,2 bilhões. Para o ano que vem, a revisão foi ainda mais intensa, de um rombo de US$ 6 bilhões para US$ 1,5 bilhão. “Ninguém quer se endividar em dólar. Temos de lembrar que os brasileiros vinham gastando, em média, US$ 2 bilhões por ano no cartão de crédito em viagens ao exterior”, afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. O BC chamou ainda a atenção para outro lado negativo da crise: com os Estados Unidos, a Europa e o Japão em recessão, muitos brasileiros que vivem nessas regiões estão sendo vitimados pelo desemprego. Com isso, têm reduzido, de forma acelerada, as remessas de recursos para o país — as chamadas transferências unilaterais. Antes da crise, o BC previa que esses brasileiros, fixados, principalmente, nos EUA e no Japão (os dekasseguis) transfeririam US$ 4,1 bilhões para familiares no Brasil. A nova projeção aponta para US$ 3,8 bilhões. Para 2009, o ano mais difícil da crise, as estimativas de remessas recuaram de US$ 4 bilhões para US$ 2,5 bilhões. Nem mesmo o dólar mais alto, que favorece as transferências, vá reverter esse quadro, admitiu o economista do BC.

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