Economia

Rússia e Ucrânia afinam estratégias para reunião sobre crise do gás

;

postado em 16/01/2009 17:06
Rússia e Ucrânia afinaram nesta sexta-feira (16/01) suas estratégias para a reunião que farão amanhã em Moscou os chefes do governo de ambos os países para desbloquear a crise do gás. Em jogo também está a reputação de ambos na Europa. A Comissão Europeia (CE, órgão executivo da União Europeia) informou hoje que as negociações entre o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e sua colega ucraniana, Yulia Timoshenko, são a "última oportunidade" para demonstrar seriedade e credibilidade como parceiros do bloco. A mensagem de Bruxelas é direta: se Putin e Timoshenko não chegarem a um acordo, a UE revisará suas relações com os dois países. "Infelizmente, o assunto saiu dos marcos bilaterais e do campo jurídico", disse o presidente russo, Dmitri Medvedev, em alusão à falta de gás russo em grande parte da Europa, desde o dia 7. Acusado pela Ucrânia de ser o responsável pela crise, Medvedev afirmou que, para "desbloquear o fornecimento e acabar com a "fome´ de gás na Europa", convocou para amanhã em Moscou uma conferência internacional. No entanto, a iniciativa do Kremlin, que começou como a convocação de uma grande cúpula internacional, foi desbotando diante da postura da UE, para a qual o conflito deve ser solucionado em negociações diretas entre Moscou e Kiev. A CE anunciou que enviará a Moscou apenas o comissário de Energia, Andris Piebalgs, e o ministro tcheco de Indústria, Martin Rimam, para "assistir" Rússia e Ucrânia na solução da disputa comercial. Na véspera de sua reunião com Timoshenko, Putin viajou hoje à Alemanha para conseguir respaldo à proposta de que a Europa "compartilhe os riscos" do trânsito do combustível pela Ucrânia mediante a criação de um consórcio que custeie o gás técnico que Kiev exige para reativar seus gasodutos e retomar o tráfego. Consórcio O consórcio russo Gazprom anunciou hoje que já estão prontos os documentos para formar o consórcio internacional, do qual também estariam dispostas a participar a italiana ENI, a alemã E.ON Ruhrgas e a francesa GDF Suez. Em Kiev, enquanto isso, o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, reuniu-se com seu colega eslovaco, Ivan Gasparovic. a primeira-ministra moldávia, Zinaida Greceani, e o ministro de Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski. O vice-primeiro-ministro da Ucrânia, Grigori Nemyria, declarou que a reunião entre Putin e Timoshenko oferece a possibilidade de avançar na busca de acordos. Ao mesmo tempo, ressaltou que a retomada do trânsito do gás russo à Europa não está vinculada à realização de foros ou cúpulas energéticas. "Não vai ser por muitas cúpulas que haverá mais gás", especificou, segundo a agência Unian. Pelo sistema de gasodutos ucranianos passa 80% das exportações de gás natural russo com destino à Europa. O conflito entre Rússia e Ucrânia explodiu no último dia 1° quando a Gazprom, estatal russa de gás, cortou totalmente o fornecimento ao país vizinho, após não chegar a um acordo de tarifas para este ano com a ucraniana Naftogaz, também estatal de gás. Preço Após o corte do fornecimento à Europa, a Rússia declarou que a Ucrânia deverá pagar preços europeus por seu gás, que cifrou na ordem de US$ 450 por mil metros cúbicos, contra os US$ 250 que propusera no final do ano passado. A Ucrânia considera que o preço adequado do gás russo para o primeiro trimestre do ano seria entre US$ 192,6 e US$ 218, por mil metros cúbicos, segundo Bogdan Sokolovski, assessor de Segurança Energética do presidente ucraniano. Kiev insiste que os problemas do trânsito do gás russo à Europa e o do abastecimento direto à Ucrânia - sobre os que ainda não há acordo - estão estreitamente vinculados. As autoridades ucranianas parecem estar dispostas a pechinchar até o último centavo e a esgotar todos os recursos nas negociações com a Rússia. Timoshenko assegurou ontem que nos depósitos ucranianos há gás suficiente para negociar com tranquilidade os contratos com a Rússia e acrescentou em reunião do governo: "17 bilhões de metros cúbicos de gás nos bastarão para negociar com calma, sem pressa".

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação