Economia

Empresas locais cortam gastos para não demitir

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postado em 01/02/2009 09:09
Em meio a uma crise internacional, sobreviver às intempéries econômicas é, muitas vezes, uma arte. Enquanto alguns estados sofrem com os impactos da mudança no cenário financeiro mundial, no Distrito Federal, muitas empresas temem menos os efeitos. Com a renda per capita mais alta do país, a capital da República está mais blindada às turbulências. No entanto, isso não quer dizer que as empresas instaladas em suas rendondezas estão imunes aos problemas provocados pela crise e, por isso, algumas companhias optam por cortes que, apesar de simples, geram uma economia significativa nas contas do fim do mês. Em vários casos, nos tempos de mudanças, vale tudo para não demitir funcionários. Fabricante da Coca-Cola no DF, a Brasal Refrigerantes mantém um quadro de 1.850 empregados. Mesmo com a retração na economia, não pretende reduzir o número de funcionários. Os cortes foram feitos em outras despesas da empresa graças a mudanças administrativas. ;Estamos melhorando nosso processos para manter nossa equipe;, diz Renato Barbosa, diretor da Brasal Refrigerantes. Uma das medidas, e a de resultado mais rápido, não precisou sequer de novos investimentos. Como a energia adquirida pela indústria custa mais caro das 18h às 21h, esse passou a ser o horário de manutenção diária dos equipamentos. Antes, os reparos eram feitos em momentos de custo mais baixo de energia. O desligamento das máquinas no período mais custoso do dia propicia uma economia de 20% do gasto mensal com a conta de luz. Vale tudo para economizar na fábrica. A empresa vai gastar R$ 6 milhões para construir um sistema de captação e tratamento da água da chuva. Até o meio deste ano, o projeto deve estar concluído e a água tratada deve ser empregada no processo produtivo da Coca-Cola. Esse investimento vai favorecer uma economia de R$ 600 mil em 12 meses na conta de água. Outra ideia de redução de custos em estudo é a mudança do sistema de frete, atualmente regional, para um nacional. A intenção é unificar a distribuição de todas as fábricas da Coca-Cola espalhadas pelo país e, com isso, diminuir as despesas com transporte das bebidas. Alterações Segundo Barbosa, todas essas modificações não servem apenas como proteção para a crise, mas como uma forma de maximizar os ganhos. A Brasal quer aproveitar o ano para ganhar mais e gastar menos. ;Estamos buscando uma gestão mais inteligente e vamos usar esse período para isso;, afirma o executivo. O momento é de aproveitar as oportunidades para crescer mesmo com uma retração na economia nacional, ensina o professor Moacir de Miranda Oliveira, da Fundação Instituto de Administração (FIA) e da Universidade de São Paulo (USP). ;Práticas de gestão enxuta são dever de casa dos empresários sempre;, destaca. Equilíbrio Com um crescimento de 75% em relação a 2007, a Lopes Royal começa o ano com o pé direito. A crise parece que não vai fazer nem cócegas por ali, mas isso não é justificativa para aumento de gastos ou regalias aos funcionários, pelo contrário. Com 424 corretores, mais do que o dobro de 2007, e 65 empregados, a imobiliária quer aproveitar a boa onda de suas finanças para conquistar um equilíbrio em suas despesas. Um dos gastos cortados do orçamento foi o celular. Uma renegociação dos planos utilizados pela empresa foi o suficiente para garantir uma economia de 60% no valor total e ainda dobrar a quantidade de minutos de ligação. O sucesso do corte nos celulares deve ser repetido nas linhas de telefonia fixa, cujos planos estão em negociação, adianta Marco Antônio Demartini, diretor da Lopes Royal. Levando em consideração que, em 2008, a Royal pagou R$ 1 milhão às operadoras de telefonia fixa e móvel, ou seja, o ganho será de, pelo menos, R$ 600 mil. Convivendo com preços maiores no mercado interno que em outros países fornecedores de matéria-prima, a saída para economizar foi trocar os fornecedores, no caso da Ciplan, fabricante de cimento. Em alguns casos, a economia chega a 35%, como o exemplo do tijolo refratário, que custa 35% a menos na Índia que entre os fabricantes de Minas Gerais, de acordo com informações da assessoria de comunicação da empresa. Prevendo vendas entre 10% e 15% menores em 2009, a empresa adiou investimentos para conter as despesas. O terceiro forno, que seria ativado em junho de 2010, só será concluído 12 meses depois. A economia na construção será de R$ 3 milhões ao mês. A avaliação dos diretores da companhia é que o desaquecimento da economia não deverá gerar mercado para demandar o excesso da produção. Sofrendo os impactos da crise econômica, a Charbel, uma das maiores gráficas da cidade, também adiou investimentos para evitar reduzir seu quadro de pessoal. Desde novembro, oito de seus 36 funcionários foram demitidos. Para evitar novos cortes, adiou a compra de um equipamento de 2,0 milhões de euros. ;Somente em maio ou em junho vou avaliar se realmente posso comprar essa máquina;, afirma o empresário Fausto Salim. Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense

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