Economia

Reversão da recessão depende de juro e crédito

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postado em 15/02/2009 09:58
A grande maioria dos analistas acredita que, a despeito da recessão técnica ; dois trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto (PIB) ; na qual está mergulhado, o Brasil ainda conseguirá fechar o ano com crescimento. ;Tudo indica que, no segundo semestre, a economia estará se recuperando;, diz Sandra Utsumi, diretora de Renda Fixa do Banco BES Investimento em Portugal. Mas não será nada excepcional. O avanço em 2009 deverá ficar entre 1% e 2%. Para que isso ocorra, no entanto, serão importantíssimas a retomada o crédito e a queda da taxa básica de juros (Selic). Sem esses instrumentos, os investimentos produtivos e o consumo, os motores que levaram o PIB a registrar incremento médio de 5% entre 2004 e 2008, não conseguirão decolar. ;Aí, pode até ser que o Brasil feche o ano com retração de 0,5%;, afirma Carlos Thadeu Filho, economista-chefe da SLW Asset Management. O quadro é tão preocupante ; com a perspectiva de a taxa de desemprego superar os 10% até a metade do ano ; que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, passou a defender a ampliação do Bolsa Família e o reajuste do salário mínimo (antes, ameaças à inflação) como forma de preservar parte da demanda interna. Ele sabe que as exportações brasileiras vão cair, pois, tão cedo, a economia global não sairá do buraco. A estratégia de Meirelles é usar todas as suas participações em eventos públicos para pedir aos consumidores e aos empresários que não se deixem contaminar pelo pessimismo e tenham paciência para esperar pelos resultados das medidas tomadas pelo governo para minimizar os efeitos da crise. ;Temos que ser pacientes e ter serenidade. Atitudes agressivamente defensivas podem exacerbar os problemas;, vem dizendo, como um mantra. ;O presidente do BC está no papel dele. Ele sabe que vivemos uma crise de confiança. Os consumidores precisam acreditar que não vão perder o emprego mais à frente e voltar a consumir. As empresas têm de acreditar que podem ampliar a produção pois terão para quem vender. E os bancos precisam acreditar que podem emprestar dinheiro pois não haverá uma onda de calote;, ressalta o economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles. ;Sem essa crença, a economia não se moverá na velocidade que se deseja;, complementa Zeina Latif, economista-chefe do Banco ING. Corte no salário Apesar dos atropelos, o economista Leandro Maués, 38 anos, tenta manter o otimismo. Na semana passada, ele foi demitido de uma financeira em São Paulo onde trabalhou por 12 anos como analista da crédito. ;Fui demitido sob a alegação de que a empresa precisava enxugar o quadro por causa da crise econômica. Levei um susto, porque, aparentemente, o meu setor estava batendo todas as metas;, relata. Por sorte, Maués, que recebia R$ 7,7 mil por mês, conseguiu, há três dias, voltar ao mercado. Mas teve de aceitar receber 45% a menos. ;Meus dois filhos saíram da escola particular e cortamos atividades esportivas para não termos que mudar de apartamento, já que o aluguel é alto (R$ 1,8 mil);, conta. O baque da gerente de contas Claudete Gimenez de Souza, 40, foi ainda maior. Depois de 10 anos de trabalho, ela foi dispensada de um banco e, no emprego novo, teve de aceitar, como salário, menos da metade dos R$ 12 mil que recebia. ;Foi um choque. Ainda estou me adaptando a essa nova realidade, o que implica mudar de apartamento, pois não temos como pagar o aluguel atual;, frisa. Leia matéria completa no Correio Braziliense deste domingo

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