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Correio Braziliense

Produção de carros cresce 9%

Montagem de veículos aumenta em fevereiro frente a janeiro, mas retrocede 20,6% na comparação com igual mês de 2008. No primeiro bimestre, o recuo foi de 24% sobre mesmo período do ano passado


postado em 10/03/2009 08:05 / atualizado em 09/03/2009 23:26

Na contramão do pessimismo que assombra as montadoras, a produção nacional de automóveis reagiu em fevereiro. Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados ontem mostram que saíram das fábricas 201.685 unidades — 9,2% a mais do que o registrado em janeiro. O resultado anima o setor, que é um dos mais prejudicados pela falta de crédito e pela retração na demanda, mas não zera as perdas acumuladas desde o início da crise econômica mundial. Em relação a fevereiro do ano passado, a produção nacional caiu 20,6%. No acumulado dos dois primeiros meses de 2009, foram produzidos 386.450 veículos — retração de 24,1% sobre mesmo período de 2008. O mau desempenho justifica, em parte, o avanço do desemprego: só em fevereiro o setor automotivo fechou 123.948 postos de trabalho, o que representa uma redução de 1,4% em relação a janeiro. Já as exportações, segundo a Anfavea, somaram US$ 538,8 milhões em fevereiro, um crescimento de 27,1% frente a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2008, no entanto, as vendas externas caíram 49,2%. O tombo deu o tom do bimestre, que encerrou amargando um recuo de 53,8% ante igual período de 2008. O comportamento das vendas mostrou que a recuperação do setor inspira cuidados. Conforme os dados, o avanço foi modesto. Os negócios fechados no mercado interno em fevereiro totalizaram 199.366 unidades — alta de apenas 1% frente a janeiro, e redução de 0,7% em relação a fevereiro de 2008. O estudo da Anfavea inclui veículos leves, caminhões e ônibus, tanto nacionais como importados. Deste total, 168.651 referem-se ao licenciamento de veículos nacionais enquanto 30.715 são de modelos importados. No acumulado do bimestre, foram comercializados 396.820 automóveis — volume 4,6% inferior ao registrado em igual intervalo de 2008. As vendas de automóveis e comerciais leves, modelo bicombustível (flex), somaram 166.812 unidades em fevereiro, com participação de 87,2% das vendas do segmento. O resultado corresponde a uma queda de 1,14% na comparação com fevereiro de 2008, quando foram vendidas 168.744 unidades. No caso das máquinas agrícolas, foram vendidas 3,6 mil unidades em fevereiro, com crescimento de 18,2% em relação a janeiro. Na comparação do fevereiro do ano passado houve redução de 8,4%. IPI O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, disse ontem que o setor não trabalha com a possibilidade de prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre a venda de veículos novos, medida que se encerra em 31 de março. “Temos a informação do governo de que a medida vale somente para este mês”, completou. Schneider destacou que o benefício teve efeitos positivos em todo o país e ajudou a minimizar os efeitos da crise. “Além de estancar a queda, foi importante para recuperar as vendas”, disse. De acordo com o executivo, as vendas teriam sido entre 15% e 20% menores se o IPI não tivesse reduzido. “O benefício nos permitiu vender em torno de 70 mil veículos a mais no bimestre”, reforçou Schneider. Na semana passada, empresários e Ministério da Fazenda sentaram à mesa para avaliar a medida.


Expansão de 3,7% no DF Vânia Cristino Da Equipe do Correio A redução do IPI para automóveis funcionou. As vendas, em fevereiro, ultrapassaram as realizadas no mesmo mês de 2008. Segundo o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Autorizados do DF (Sincodiv/DF) foram comercializadas no mês 1.405 unidades, o que significou crescimento de 3,77% em relação a fevereiro do ano passado, quando 1.354 havia sido vendidos. Na comparação com janeiro, período em que os concessionários emplacaram 1.454 veículos, houve queda de 3,37%. De acordo com o presidente do Sincodiv/DF, Ricardo Lima, o recuo se deve ao menor número de dias úteis e também ao carnaval. A reação positiva do setor automotivo — só no DF as concessionárias venderam 2.859 unidades nos dois primeiros meses do ano, contra 2.772 veículos no primeiro bimestre de 2008 — não se sustenta sem o estímulo dado pelo governo, avaliou Lima. “O mercado terá dificuldades em continuar crescendo sem a diminuição dos impostos”, disse.

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