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Correio Braziliense

Poupança é obstáculo para juro menor

 


postado em 13/03/2009 08:31 / atualizado em 13/03/2009 08:36

Com a inflação sob controle e o nível de atividade minguando, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, identificou um novo empecilho para a queda mais acentuada da taxa básica de juros (Selic), que, anteontem, caiu 1,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. Segundo relatos de senadores que integram a Comissão Temporária de Análise da Crise do Senado Federal e estiveram no BC ontem, Meirelles destacou que, se o rendimento da caderneta ficar acima dos juros reais embutidos na Selic, há o risco de haver uma fuga de recursos que hoje estão aplicados em títulos públicos em direção à poupança, criando embaraços para o governo financiar a dívida pública no mercado. Ainda segundo relatos dos senadores, o presidente do BC afirmou que, com o mais recente corte da Selic, os juros reais (que descontam a inflação projetada para os próximos 12 meses) ficaram um pouco acima de 6%. A poupança, por sua vez, paga 6,17% ao ano além da variação da Taxa Referencial (TR), que eleva seu ganho para um patamar entre 7% e 7,5%. Portanto, na visão de Meirelles, uma das saídas imediatas para corrigir o “problema” seria a extinção da TR, eliminando um dos últimos resquícios da indexação que, ao longo de décadas, dominou a economia brasileira. A TR pode ter fim ou ser zerada por meio do Conselho Monetário Nacional (CMN), do qual Meirelles é um dos três integrantes. Questionado pelo Correio sobre possíveis mudanças no rendimento da poupança para abrir espaço a reduções maiores dos juros, o presidente do BC respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que o “relato feito aos senadores foi o mais objetivo possível”. Ele destacou também que as distorções que serão criadas por meio de juros reais cada vez menores e os rendimentos da caderneta têm sido motivo de alertas de analistas e investidores há tempos. Segundo ele, “essa questão, inclusive, foi levantada em 1987”, quando a Selic estava em franco processo de baixa. Meirelles disse que a TR é um instrumento dos tempos de hiperinflação. A despeito disso, Meirelles ressuscitou o tema, no momento em que o governo está finalizando um prometido — e adiado — pacote habitacional. A extinção da TR, por exemplo, baratearia consideravelmente a prestação da casa própria. Atualmente, pelas contas da Caixa Econômica Federal, mais de 90% dos financiamentos imobiliários são corrigidos pela TR mais uma taxa fixa de juros. “Trata-se de um apelo e tanto para bancarmos o fim ou a zeragem da Taxa Referencial. Resta saber se há disposição para comprar brigas com os poupadores e os trabalhadores que têm recursos no FGTS”, frisou um técnico do governo. “Independentemente dos interesses, o BC têm de estar muito atento aos riscos de desestruturação dos sistemas financeiro e de poupança”, emendou. Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense

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