Jornal Correio Braziliense

Economia

Preço irreal anula compra no comércio eletrônico

Erros nos sites levam consumidores a comprar mercadorias que valem até R$ 5 mil por menos de R$ 10. Por causa da discrepância, Procon diz que empresas não são obrigadas a entregar os produtos

Um salto de 25% nas vendas no primeiro trimestre do ano mostra que as vendas do comércio eletrônico não estão sofrendo com a crise como o varejo. Mas, com o volume de vendas também se multiplicam os problemas. Erros nas páginas eletrônicas são frequentes. Nos últimos oito dias duas grandes companhias tiveram problemas comerciais por falhas na hora de atualizar os preços. Na madrugada de ontem, o site da Fnac ofertou televisores de plasma, notebooks, e outros itens que custam até R$ 5 mil, por apenas R$ 9,90. Cerca de 100 pedidos foram feitos. Uma mesma pessoa chegou a comprar 10 unidades do mesmo produto. No último dia 13, a falha foi na página da IBM. Pelo menos cinco consumidores do DF compraram, por R$ 152 aparelhos servidores que atualmente custam R$ 4.999 no site da empresa. Nos dois casos, a compra foi efetuada e os consumidores receberam confirmações via e-mail, mas as companhias não são obrigadas a entregar os produtos, orienta o Procon de São Paulo. De acordo com o assessor chefe do órgão, Carlos Coscarelli, como os preços são muito distantes dos valores reais, os consumidores não compraram ludibriados. ;Se o consumidor compra achando que o preço é real, é uma coisa. Pode-se dizer que ele acreditou na oferta, mas neste caso é diferente. Não estamos dizendo que eles agiram de má-fé, mas eles sabiam que aquilo era um erro e não uma oferta, afirma. ;O Código de Defesa do Consumidor veio para equilibrar a relação de consumo, não para favorecer o consumidor.; Alerta De acordo com ele, a Fnac acertou ao ter comunicado imediatamente o erro tanto no site quanto via e-mail para os compradores. Ao identificá-lo, uma nota foi colocada no ar alertando para os consumidores de que se tratava de uma falha e não uma promoção. Por meio de sua assessoria de comunicação, a Fnac informou que o erro se deu na ferramenta de promoção, que deveria ofertar por R$ 9,90 uma seleção de DVDs. A ferramenta incluiu outros itens na lista. Apenas após uma hora e 26 minutos o erro foi identificado. Os compradores foram comunicados de que a compra foi cancelada e os valores serão estornados nas faturas de cartão de crédito. Oito dias após ter adquirido dois servidores por um preço 30 vezes menor que o real, o analista de suporte brasiliense André Almeida, de 25 anos, ainda aguarda uma posição da IBM sobre a entrega. Avisado por colegas de trabalho, ele entrou no site da empresa e comprou dois servidores, sendo um para pagamento com cartão de crédito e outro via boleto bancário. No mesmo instante, André recebeu um e-mail de confirmação da compra e a cobrança já consta em sua fatura do cartão de crédito, mas ele não recebeu o boleto para pagamento referente ao segundo servidor. Desde a última quarta-feira, ele aguarda um posicionamento da empresa sobre a efetivação da compra. Pelo menos outros quatro colegas de André também aproveitaram os preços baixos. Procurada pelo Correio, a IBM não se posicionou até o fechamento da edição. Além de falhas graves, a exemplo desses dois casos, as companhias brasileiras apresentam outros erros que dificultam os negócios, segundo a especialista em usabilidade de páginas eletrônicas Mercedez Sanches. O volume de vendas, que no primeiro trimestre chegou a R$ 2,3 bilhões, poderia ser maior, analisa. Ouça entrevista com Carlos Coscarelli, assessor chefe do Procon de São Paulo