postado em 13/07/2009 08:18
A empresária Maria Helena Pereira da Silva, 44 anos, é daquelas que controlam os centavos, especialmente quando envolvem juros e tarifas bancárias. Não foi à toa que, nos últimos dois anos, ela trocou de banco quatro vezes tentando reduzir suas despesas. Apesar do desgaste, não tem do que reclamar. Na ponta do lápis, Helena mostra que está economizando mais de 20% por ano com juros do cheque especial e com o pagamento dos serviços. "Comigo, não tem moleza. Controlo tudo mesmo, centavo por centavo, pois, se não houver um rigor no acompanhamento das despesas bancárias, meu trabalho fica inviável", diz.
Helena faz parte, porém, de um seleto grupo de brasileiros que se dão ao trabalho de mudar de banco quando se sentem prejudicados pelo excesso de tarifas e de juros. "Infelizmente, as pessoas são acomodadas. Preferem continuar pagando caro para manter a conta corrente, mesmo sendo mal atendidas, do que buscar melhores condições", afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), Geraldo Tardin. "Além disso, há a tradição. As pessoas gostam de dizer que são clientes há mais de 20 anos de uma instituição", emenda. Resultado: esse tipo de comportamento só beneficia os bancos, que ampliam os seus ganhos.
Tardin sabe do que fala. Levantamento feito pelo Correio, com a ajuda do Banco Central, explicita o quanto vale a pena mudar de banco se o consumidor perceber que está pagando caro demais pelos serviços que recebe. Considerando apenas duas linhas de crédito - cheque especial e crédito pessoal - e cinco tarifas prioritárias - folha de cheque, saque em terminal, extrato eletrônico, transferência por DOC ou TED e renovação anual de cadastro - , é possível economizar até 50% ao ano quando se comparam os custos das seis maiores instituições: Itaú, Banco do Brasil (BB), Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander e HSBC.
Essa diferença de custos é vista com simpatia pelo chefe do Departamento de Normas do BC (Denor), Sérgio Odilon, porque confirma a competição do mercado, a despeito de mais de 80% da clientela bancária estar nas mãos dos seis maiores bancos do país. "A maior concorrência foi possível graças aos instrumentos dados pelo BC para que qualquer pessoa possa trocar de banco sem ônus", afirma. "É o caso da portabilidade, palavra da moda, graças ao sistema de telefonia", ressalta.
Há, também, a portabilidade do crédito. Ou seja, uma pessoa que tem uma dívida com seu banco a um custo elevado pode transferir esse débito para outra instituição, caso lhe seja oferecida uma taxa de juros menor. Na hora da transferência, o banco que está sendo deixado para trás deve dar os descontos nas prestações que não foram pagas.
Outra facilidade é a conta-salário. Quem é obrigado a receber por um banco, mas não quer manter relação com essa instituição, tem direito a abrir uma conta apenas para trânsito do salário. A transferência do dinheiro tem de ser feita no mesmo dia, sem ônus. "Estamos falando de transparência, de aumento da competição, processo que se completou com a uniformização das tarifas bancárias, uma forma de os correntistas saberem o que estão pagando", acrescenta o chefe do Denor.
Odilon ressalta, contudo, que, ao fazer as comparações, os clientes devem comparar tarifas, taxas de juros e de administração cobradas, além das anualidades dos cartões de crédito. "É o gasto geral com serviços e juros que nos dá a visão mais clara do que realmente estamos pagando", avisa.
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