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Correio Braziliense CONJUNTURA

Ciclo favorece queda do desemprego

Economistas dizem que o atual semestre, tradicionalmente, cria mais vagas de trabalho do que o primeiro período do ano. Situação deve melhorar nos próximos meses


postado em 24/07/2009 08:10 / atualizado em 24/07/2009 08:42

José Márcio Camargo, economista, compara as partes do ano: crise ainda exerce efeito negativo sobre o emprego(foto: Fábio Motta/AE - 24/11/00 )
José Márcio Camargo, economista, compara as partes do ano: crise ainda exerce efeito negativo sobre o emprego (foto: Fábio Motta/AE - 24/11/00 )
Está mais difícil conseguir um emprego este ano. Somente em junho, a taxa de desemprego medida pelo IBGE (1) (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deu sinal significativo de queda, o que pode trazer esperanças para os desempregados. Em maio, a taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre) estava em 8,8%, caindo para 8,1% em junho. Nos anos em que a economia se mostra mais saudável, a taxa de desemprego começa a cair pelo menos dois meses antes. Em 2009, ela está mais resistente e o motivo é o baixo fôlego da produção. “Uma economia menos aquecida acarreta uma demora maior na queda da taxa”, reconheceu um especialista. É só observar as taxas mensais de desocupação, divulgadas pelo IBGE, para notar que, todo ano, a taxa de desemprego é maior nos primeiros meses, caindo no segundo semestre (veja gráfico), explicou. “O primeiro semestre é sempre pior para o emprego”, afirmou o professor José Márcio Camargo. Segundo Camargo, no segundo semestre a produção está a todo vapor para que a indústria consiga atender os pedidos. Como este ano ainda estamos atravessando uma crise, Camargo acredita que o resultado, no fim do período, poderá ser, inclusive, de uma pequena elevação em relação à taxa apurada em 2008. A taxa de desemprego é uma relação entre a população que está procurando trabalho e a oferta de postos no mercado. Essa taxa pode subir simplesmente pelo aumento do número de pessoas que procuram emprego. Se, aliado à essa demanda por trabalho, cai a oferta, a situação piora muito. A taxa de desemprego pode dar um pico. Desde 2006, essa taxa está em queda. O declínio se acentuou em 2008 devido aos bons ventos da economia. No primeiro semestre deste ano, com os investimentos em baixa e a indústria patinando, essa relação voltou a ficar desfavorável para o trabalhador. Surpresa A queda da taxa em junho surpreendeu os pesquisadores do IBGE. Especialistas em geral esperavam estabilidade. O gerente da pesquisa mensal de emprego do instituto, Cimar Azeredo, avaliou que será preciso aguardar os próximos resultados para ter certeza de que a queda da taxa não foi um soluço. “O mercado de trabalho mostrou um resultado favorável. Ainda não conseguimos nos equiparar a 2008, mas junho foi uma arrancada”, avaliou. A dúvida do técnico com relação à nova taxa é que aumentou, no período, em 0,6% ou em 105 mil pessoas, a quantidade de gente que está sem trabalho e sem procurar emprego. Essas pessoas ficam fora da População Economicamente Ativa (PEA) e não entram no cálculo da taxa. Essas pessoas podem estar fora da PEA porque estão aguardando uma resposta de um possível emprego ou, o que é pior, podem, ter desistido de procurá-lo. É o chamado desemprego por desalento. Pelos dados da PME de junho, o contingente de desocupados recuou 8,3% em junho com relação a maio, permanecendo estável em relação a junho de 2008 (em 1,9 milhão de pessoas). A população ocupada (21,1 milhões) registrou elevação de 0,8% na comparação com maio, mantendo-se estável em relação a junho de 2008. O número de trabalhadores com carteira assinada, de 9,5 milhões para as seis regiões, não variou com relação a maio. Já a taxa de desemprego caiu 0,7 ponto percentual voltando ao patamar de janeiro. Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o fato relevante da PME é o emprego industrial que, pela primeira vez, apresentou um resultado favorável. 1 - IBGE O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é o principal provedor de dados e informações do país, que atendem as necessidades da União, dos estados e dos municípios, além de segmentos da sociedade civil. A instituição procura oferecer uma visão completa e atual do país por meio de: 1) Produção, análise e consolidação de informações estatísticas e geográficas, 2) Estruturação e implantação de um sistema da informações ambientais, 3) Documentação e disseminação de informações e 4) Coordenação dos sistemas estatístico e cartográfico nacionais. » Sobe gasto com seguro O governo pagou no primeiro semestre deste ano R$ 9,9 bilhões em benefícios do seguro-desemprego. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, admitiu que o montante é o mais alto desde 2003, início do primeiro mandato do presidente Lula. Pelos dados divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, esse volume de recursos permitiu o pagamento de 4,1 milhões de benefícios. O seguro-desemprego é uma das despesas obrigatórias do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), cujas principais receitas são as contribuições empresariais ao PIS/Pasep. » Leia a íntegra da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE

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