Jornal Correio Braziliense

Economia

Bolsas europeias caem com setor de tecnologia e indicador nos EUA

As Bolsas europeias fecharam em baixa nesta sexta-feira, encerrando uma sequência de nove sessões consecutivas de ganhos. As perdas nas ações do setor de tecnologia ofuscaram os ganhos no setor financeiro. Além disso, o dado sobre confiança do consumidor nos Estados Unidos teve efeito negativo sobre os negócios.

O índice FTSEurofirst 300 - referência para as principais empresas europeias - encerrou em baixa de 0,2%, com 906,50 pontos, depois de chegar a 915,34 pontos, maior nível desde meados de novembro do ano passado. Nos mercados locais, a Bolsa de Paris teve baixa de 0,22% no índice CAC 40, para 3.366,45 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve queda de 0,34% no índice DAX, para 5.229,36 pontos; e a Bolsa de Zurique fechou com ligeiro recuo de 0,08% no índice Swiss Market, que ficou com 5.760,90 pontos.

As exceções do dia foram a Bolsa de Londres, que fechou em alta de 0,37% no índice FTSE 100, aos 4.576,61 pontos; e a Bolsa de Madri, que teve alta de 0,40%, indo para 1.080,46 pontos no índice Madrid General.

"Estamos ficando sem fôlego após nove dias de ganhos ininterruptos. Embora tenhamos visto resultados trimestrais razoáveis, não há nada que permita dizer que a crise acabou", disse à agência de notícias Reuters o estrategista Howard Wheeldon, da BGC Partners.

Os papéis do setor de tecnologia tiveram perdas, com destaque para as ações do grupo sueco de telecomunicações Ericsson, que caíram 7,7%. Também perderam as ações da Alcatel-Lucent, Infineon Technologies e Nokia, com recuos de 1.9% a 3,9%.

O lucro da Ericsson caiu 56% no trimestre passado, na comparação com o mesmo período de 2008, para 831 milhões de coroas suecas (US$ 111,4 milhões). No período de abril a junho do ano passado o lucro da empresa havia sido de 1,9 bilhão de coroas suecas (US$ 254,8 milhões, no câmbio de hoje). Segundo a Ericsson, a queda se deveu em parte por gastos com reestruturação e por perdas na divisão de telefones celulares, a Sony Ericsson.

No setor financeiro houve ganhos, mas não suficientes para impulsionar os mercados. Os destaques foram as ações do Standard Chartered, Société Générale, Banco Santander e Barclays, com ganhos entre 1,3% e 3,3%.

A Universidade de Michigan informou hoje que a confiança do consumidor americano na economia diminuiu em julho e chegou ao menor patamar desde abril. O índice apurado pela instituição ficou em 66 pontos, contra 70,8 em junho.

"Os consumidores acreditam que a queda livre na economia acabou, mas veem poucos motivos para acreditar que as políticas de estímulo do governo irão melhorar a situação financeira no futuro próximo", informou a universidade, em um comunicado.

Indicadores.


Na Europa também foram divulgados indicadores, que, no entanto, não conseguiram dar impulso aos negócios. A confiança dos empresários alemães aumentou pelo quarto mês consecutivo em julho e atingiu o maior nível desde outubro de 2008, mostrou o índice do instituto Ifo --feito com cerca de 7.000 empresas. O indicador subiu para 87,3 pontos, contra 85,9 em junho.

Na Espanha, no entanto, o número de desempregados aumentou em 126.700 pessoas no segundo trimestre do ano na comparação com o primeiro e ficou em 4.13 milhões, levando a taxa de desemprego no país a 17,92% da população ativa, segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística). A Espanha é o país da UE (União Europeia) que registra a maior taxa de desemprego, segundo a Eurostat, a agência europeia de estatísticas.

O PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido, por sua vez, sofreu contração de 0,8% entre abril e junho, em relação ao mesmo período de 2008, acumulando uma queda de 5,8% nos doze meses anteriores, o maior retrocesso desde 1955, quando o indicador começou a ser calculado, segundo o ONS (Escritório Nacional de Estatísticas, em inglês). A queda no trimestre superou as previsões dos analistas, que esperavam uma contração de 0,3%. Trata-se do quinto recuo consecutivo na economia britânica.