Marinella Castro/Encontro BH
postado em 08/08/2009 14:15
Em plena entressafra, o preço da carne bovina, especialmente dos cortes nobres, está em queda livre. Um dos principais motivos da desaceleração é a perda de ritmo das exportações.
Com a redução dos negócios internacionais, cresceu a oferta do alimento no mercado interno e quem ganha é o consumidor, já que, entre os alimentos, a carne é o item com maior peso na inflação. Com a oferta em alta, o churrasco dos brasileiros ficou mais nobre, os cortes mais caros da vitrine se tornaram uma espécie de tentação para o bolso.
A apreciada picanha maturada nacional, uma versão especial do corte, há três meses era comercializada, em média, por R$ 32, agora já pode ser encontrada por R$ 19, uma redução de 41%. Até a picanha argentina, que sempre teve preço proporcional à fama, está 20% mais barata, o valor do quilo caiu de R$ 33 para R$ 25,90.
O contrafilé especial para grill segue a ordem: o custo do quilo encolheu 30% e o produto é vendido, agora, por R$ 14.
Desde março o custo médio da carne bovina vem perdendo o fôlego. De janeiro a julho, o alimento básico do brasileiro ficou 5,7% mais barato, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE.
Em Belo Horizonte o recuo foi mais intenso, atingindo 8,22%. Mas quem lidera a lista de preços em queda são mesmo os cortes mais caros, que abastecem o mercado internacional. Segundo levantamento do Mercado Mineiro, de janeiro a julho, a alcatara comum ficou 14,07% mais barata em Belo Horizonte, com preço médio de R$ 11,30 o quilo.
O contrafilé reduziu em 12,52%, no período e agora pode ser facilmente encontrado por R$ 13. O tradicional bife de filé mignon está 11,55% mais em conta. O preço médio do quilo não ultrapassa R$ 16. "A carne é o alimento de maior peso no IPCA. A desaceleração nos preços contribuiu para o recuo da inflação em julho", comenta Irene Machado, gerente de pesquisas do IBGE.
O churrasco é programa certo nos fins de semana da família do contador Lauro Wilson Filho. Ele notou que, nos últimos seis meses, a picanha comum ficou 10% mais barata. Para o almoço de hoje, ele pagou R$ 12,90 no quilo.
Em comparação com o ano passado, a diferença é bem maior. "Cheguei a comprar a picanha comum por mais de R$ 16, mas mesmo assim não deixei de fazer o churrasco", afirmou.
No primeiro semestre do ano, as vendas brasileiras ao mercado externo caíram 18% em volume e 25% em valores. O volume de carne comercializado somou US$ 1,8 bilhão, contra US$ 2,4 bilhões no mesmo período do ano passado.
O excedente das exportações é desviado para o mercado interno. Como o consumidor brasileiro também perdeu renda, ele não está disposto a pagar caro. Os cortes nobres caem de preço, mas pressionam também a carne de segunda%u201D, comenta Pierre Vilela, coordenador da assessoria técnica da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg).
"As promoções às vezes surpreendem. Comprava o filé por R$ 23, agora encontro por R$ 16,90%", comenta a psicóloga Mônica Queiroz de Oliveira. Segundo ela, sua família consome cerca de R$ 200 por mês com o alimento. "A diferença de 10% no preço da carne é uma economia considerável", calcula.