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Correio Braziliense

Pré-sal dá status de potência

Petrobras, que garantiu um naco enorme na exploração de petróleo no pré-sal, programou investimentos de US$ 174 bilhões no país até 2013


postado em 07/09/2009 12:05

As descobertas do pré-sal reforçam o papel de potência do Brasil, que caminha rumo à autossuficiência em petróleo. No início da exploração da nova riqueza, prevista para 2015, a produção diária saltará de 2 milhões para 3 milhões de barris por dia. Em 2020, será o dobro, atingindo 4 milhões de barris diários. Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a autossuficiência praticamente já existe, pois o país importa 15% a 20% do que consome e o volume refere-se a óleo leve, demanda que deve ser suprida com as novas explorações. “Com o pré-sal, o Brasil se tornará um exportador de petróleo. Tudo indica que o país será um dos player mais importante no mundo”, ressalta. Mas é preciso cuidado. Se mal administrada, toda essa riqueza pode se tornar uma maldição, levando o governo a gastos desnecessários em vez de priorizar os anseios da sociedade.

Cautela à parte, Pires avalia que o impacto na crise mundial no mercado brasileiro não foi tão forte. Antes do estouro da bolha imobiliária americana, em setembro de 2008, o preço do barril chegou a oscilar entre US$ 140 e US$ 150, puxado por movimentos especulativos. Mas, com as principais economias do mundo sendo empurradas para a recessão, a demanda recuou e a cotação do óleo despencou para patamares entre US$ 35 e US$ 40. Atualmente, o barril está sendo negociado pouco acima dos US$ 50 e a expectativa é de que varie entre US$ 60 e US$ 70 no início do ano que vem.

As novas descobertas brasileiras também garantirão grandiosos volumes de investimento para o país. Entre 2009 e 2013, os desembolsos da Petrobras chegarão a US$ 174 bilhões, dos quais US$ 111 bilhões serão destinados para o pré-sal. Este ano, a estatal está investindo US$ 25 bilhões como um todo no país e as petroleiras estrangeiras, entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões.

Adriano Pires ressalta que a natureza tem se mostrado bastante favorável ao Brasil do ponto de vista energético. “Além do petróleo, temos muita água, que é fonte de energia limpa, biocombustíveis e uma aposta em energia eólica, temos carvão, energia nuclear e, agora, o pré-sal. A princípio, o horizonte, o Brasil não terá problema com energia”, afirma. Para o consultor, o que faltam são políticas públicas de médio e longo prazos. “No caso do pré-sal, o problema é que os assuntos que foram enviados ao Congresso vão no sentido de reestatização do setor e a riqueza do pré-sal está sendo anunciada como uma forma de resolver todos os problemas dos brasileiros”, critica.

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