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Correio Braziliense

Empresas pedirão manutenção do IPI


postado em 09/09/2009 11:27 / atualizado em 09/09/2009 11:31

Indústria e varejo já se movimentam para pedir ao governo que estenda o máximo que puder a política de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado nos carros, materiais de construção e eletrodomésticos. O argumento é de que ainda é cedo para se desmontarem os incentivos fiscais, pois a recuperação que se está vendo na economia não se consolidou por completo. "A prorrogação da queda do IPI é fundamental para o comércio, sobretudo neste fim de ano", disse a diretora-executiva do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Fabíola Xavier. Pelo cronograma anunciado pelo governo, o corte do IPI para a linha branca (geladeira, máquina de lavar, fogão e tanquinho) acabará no fim de outubro.

Segundo Fabíola, com a redução do IPI a partir de abril deste ano, as vendas de eletrodomésticos, que vinham em forte queda por causa do estrago provocado pela crise mundial, deram uma virada substancial. As receitas das lojas com geladeiras, cujo imposto recuou de 15% para 5%, com fogões (de 5% para 0%), com máquinas de lavar (de 20% para 10%) e com tanquinhos (de 10% para 0%) passaram a crescer entre 15% e 20%, praticamente zerando as perdas no acumulado do ano. "Estamos em contato com o Ministério da Fazenda para apresentar nosso pleito", disse a executiva. A confiança do empresariado na prorrogação do IPI reduzido é grande, graças às declarações do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, de que o governo está disposto a manter o benefício por mais tempo. De Londres, onde participava da reunião do G-20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não só emitiu sinal na mesma direção, como afirmou que ainda não está na hora de o governo desmontar as políticas anticíclicas, fundamentais para que o Brasil saísse rapidamente da recessão na qual mergulhou no fim de 2008. Pelo cronograma atual do governo, além de o IPI voltar à normalidade para os eletrodomésticos no fim de outubro, do mês que vem a dezembro, o tributo retornará gradualmente aos níveis pré-crise para os automóveis. No caso dos materiais de construção, as desonerações valerão até fim do ano. Pelas contas da Receita Federal, de janeiro a julho, a queda do IPI reduziu a arrecadação de tributos em R$ 3,081 bilhões. Até o fim do ano, as perdas devem chegar a R$ 4,9 bilhões. Na opinião de Alain Ryckeboer, diretor-geral da Leroy Merlin, a extensão do IPI reduzido para materiais de construção beneficiará, principalmente, as classes C e D, entre as quais se registra parte importante do deficit habitacional brasileiro. "Com certeza, essa parcela da população será a mais beneficiada pela política de corte de impostos, pois os produtos realmente ficaram mais baratos", destacou. Para o diretor de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz, o governo deve pensar duas vezes antes de reverter a queda do IPI. "É prematuro adotar mecanismos de saída das desonerações. Desmontar tudo isso agora seria dar um tiro no pé", disse. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) a redução do IPI ainda é relevante para o setor.

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