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Correio Braziliense

Varejo: Comércio consolida recuperação


postado em 16/09/2009 09:04 / atualizado em 16/09/2009 09:13

Ontem (15/9), dia em que a crise financeira completou um ano (data da quebra do banco americano Lehman Brothers), o comércio brasileiro consolidou uma trajetória de recuperação com a terceira alta mensal consecutiva de vendas e receitas. De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação entre julho e junho houve alta de 0,5%.

A despeito desse resultado positivo acumulado, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) avalia com cautela as afirmações de que a crise ficou para trás. O economista da entidade, Fábio Bentes, adota um tom moderado ao lembrar que o resultado de julho foi bem menor que o de junho, cuja alta foi de 1,7%. Ele, por outro lado, concorda com os analistas que apontam que o aumento das vendas e das receitas foi influencido pela reação positiva no mercado de trabalho e pela ampliação da massa salarial. “Essa contribuição positiva do mercado de trabalho foi determinante para o varejo”, avaliou Fábio Bentes. Na comparação entre julho de 2009 e de 2008, a massa salarial avançou 4,3%, segundo dados do IBGE. “A gente acredita que o cenário vai ser esse, o mercado de trabalho vai sustentar as vendas no varejo”, afirmou.

O segmento de hiper e supermercados foi o que teve o melhor resultado. O setor, que representa 79% da expansão do índice apurado pelo IBGE, registrou, isoladamente, alta de 10,1% das vendas em julho frente igual mês do ano passado. “Alimentos sempre têm mais peso na pesquisa. Isso ocorre porque existem atividades que são mais sensíveis à renda, como alimentos, e outros que são mais sensíveis ao crédito, como automóveis”, explicou o gerente da pesquisa, Reinaldo Pereira.

De acordo com dados do Pão de Açúcar, maior rede de varejo do país, de maio a junho as vendas brutas subiram 15,4%. Enquanto o lucro operacional da empresa foi de 15,7%. “Hipermercado tem mais sensibilidade à renda porque, normalmente, alimentação não é financiada. Por isso, o crescimento”, ponderou Reinaldo Pereira.

Das unidades da Federação, Piauí foi a que teve o maior incremento percentual no volume de negócios, alta de 20%. Sergipe aparece em segundo lugar, com 19%. A maioria dos estados nordestinos teve bom desempenho. “O bolsa famíla deu um gás e colocou recursos no segmento que tem maior peso na pesquisa, alimentação”, justificou Reinaldo. Para a maior rede de mercados do Piauí, a Comercial Carvalho, a crise não trouxe efeitos danosos. “Havíamos parado algumas obras em setembro por medo da crise, mas em fevereiro retomamos nossos investimentos”, relatou a proprietária da rede, Evangelita Fernandez de Carvalho.

 

Ouça entrevista com Reinaldo Pereira, gerente da pesquisa mensal do comércio:

 

 

 

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