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Correio Braziliense

Bancos privados reabrem hoje no DF


postado em 09/10/2009 09:29 / atualizado em 09/10/2009 10:20

Depois de 15 dias de greve, os bancários votaram nesta quinta-feira (8/10) pelo fim da paralisação e os bancos privados reabrem hoje as portas ao público. Em Brasília, a greve continua nos bancos públicos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os funcionários do Banco do Brasil encerraram a paralisação. A negociação foi dura. No início, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) bateu o pé pela proposta feita, de reajuste de 4,5%, o que a categoria não aceitou. A disposição de luta dos bancários, segundo o comando nacional, forçou os bancos a negociarem. Nova proposta foi feita para um reajuste de 6%, com aumento real de 1,5% em relação à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no período de 1° de setembro de 2008 a 31 de agosto deste ano. Os bancários aceitaram.

O fim da greve vai acarretar uma enorme fila nas agências bancárias. Parte da população, principalmente a mais pobre, sem acesso à internet ou sem condições de utilizar os terminais de autoatendimento, ficou sem receber salário ou pagar contas nesse período. O problema foi agravado pela greve dos Correios, que atrasou o envio da correspondência para a casa dos consumidores. Sem o boleto ou carnê para o pagamento das contas, muitos usuários não puderam usar os correspondentes bancários - as casas lotéricas, por exemplo - como alternativa.

Na negociação com os bancos privados, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) conseguiu ampliar a participação nos lucros e resultados das instituições financeiras. Agora, existe uma regra básica, válida para todos - correspondente a 90% do salário, mais um valor fixo de R$ 1.024, com teto de R$ 6.680 - e um adicional, a ser distribuído linearmente para os funcionários. Os bancários conseguiram ainda a ampliação da licença-maternidade para 180 dias para as funcionárias de todos os bancos e a isonomia de tratamento para casais homoafetivos, que passam a gozar dos mesmos direitos previstos na convenção coletiva. Os dias parados serão compensados. A negociação com os bancos públicos foi feita separadamente.

Memória
Braços cruzados


A greve dos bancários da rede privada deste ano teve exatamente a mesma duração da paralisação do ano passado, 15 dias. Essa foi a sexta vez consecutiva, desde 2004, que a categoria cruzou os braços e travou uma guerra acirrada com os patrões em busca de melhores salários e benefícios. Mas não tem sido fácil, mesmo para um segmento organizado como o dos bancários, obter ganhos reais das instituições financeiras, apesar dos elevados lucros registrados pelos bancos nos últimos anos. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Carlos Cordeiro, a greve é a "única linguagem" que os banqueiros entendem. Segundo ele, nos bancos públicos a negociação avançou, mas na Caixa não foi possível revolver pendências esepcíficas, como a garantia de um novo Plano de Cargos Comissionados.

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