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Correio Braziliense BOLHA GLOBAL

Afeganistão lidera crescimento do PIB


postado em 08/11/2009 10:18 / atualizado em 08/11/2009 10:47

China? Índia? Brasil? Nada disso. O campeão de crescimento em 2009 será o Afeganistão. Envolto há oito anos em combates entre a milícia talibã e as forças ocidentais lideradas pelos Estados Unidos, que o ocupam desde outubro de 2001, o país terá expansão de 15,65%. Nem em seu melhor momento os chineses tiveram desempenho superior (leia mais no texto abaixo). Excluídos os ganhos com o ópio, droga extraída das vastas plantações de papoula no interior, o Produto Interno Bruto (PIB) afegão deve ficar em US$ 13,32 bilhões, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).



“Daqui, só temos notícia da guerra. Mas os EUA estão investindo na reconstrução da infraestrutura do Afeganistão, abrindo estradas, aumentando a produção de energia. Além disso, os soldados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também gastam dinheiro lá, o que ajuda”, disse o embaixador Rubens Barbosa, consultor de negócios e presidente da Rubens Barbosa&Associados. Entre 2003 e 2014, o resultado deste ano só deve ser inferior ao de 2005 (16,10%). Os investimentos públicos e privados são equivalentes a 32,5% do PIB — no Brasil, o indicador não passa de 19%. A expansão econômica afegã deve ser de 8,62% em 2010 e de 7,85% em 2011.

Os investimentos estrangeiros diretos chegaram a 2,5% do PIB. O Banco Mundial (Bird) emprestou US$ 3 bilhões para infraestrutura, reformas e projetos de desenvolvimento. O Fundo tem um acordo, no valor de US$ 120 milhões, para ações com o objetivo de reduzir a pobreza. “Nossa prioridade nacional é fortalecer a capacitação dos trabalhadores, investir na infraestrutura necessária para uma economia viável e aumentar a produtividade da nossa agricultura”, disse o presidente do Banco Central afegão, Omar Zakhilwal, na reunião do FMI, em Istambul, no mês passado.

A taxa de poupança é significativa no país: 31% do PIB. A economia afegã se beneficia muito da produção de pelo menos 8 mil toneladas de ópio por ano, o que gera uma receita de quase US$ 700 milhões. Mas essa é apenas a parte visível da droga, captada nas estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU). Dominada pelos talibãs, boa parcela do tráfico não aparece em projeções. De qualquer forma, o Fundo exclui a atividade ilegal da contabilidade do PIB. Os técnicos do FMI acreditam que a expansão de quase 16% será obtida a partir de uma “forte recuperação da agricultura e pelo aumento no fluxo de capitais”. O país produz carne, frutas, castanhas, têxteis e lã.

Como não tem ligações bancárias e comerciais restritas, o Afeganistão passou ao largo da crise. A balança comercial é deficitária em US$ 6,66 bilhões. As reservas internacionais são de apenas US$ 3,10 bilhões e a inflação em Cabul, capital do país, é de 8,5% anuais. “O PIB do Afeganistão está crescendo muito, mas isso não leva ninguém a investir ou morar lá”, disse o embaixador José Botafogo Gonçalves, ex-ministro da Indústria e Comércio. O FMI confirma que a insegurança e a corrupção atrapalham. O PIB per capita é de US$ 460,97, um dos menores do mundo.

 

Leia íntegra: as projeções do FMI para os países filiados à instituição
 

 

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