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Correio Braziliense

Os riscos da internet


postado em 16/03/2010 08:12 / atualizado em 16/03/2010 09:06

Os abusos são grandes. Mesmo com a Café Solúvel Brasília tendo sido acionada duas vezes pela CVM e pela bolsa de valores no início deste mês por causa de movimentos atípicos de preços, as ações da empresa subiram 40,7% apenas na última sexta-feira, para R$ 5,98. “Infelizmente, isso comprova que os manipuladores não estão nem aí para as autoridades, pois sabem que não serão pegos”, disse Carlos Antonio Magalhães, diretor da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado (Apimec).“São grupos especializados em se aproveitar do desconhecimento de investidores, que se rendem facilmente à promessa de ganho fácil”, complementou.

Normalmente, ressaltou o economista Demétrius Borel Lucindo, esses negócios começam por meio de sites de relacionamentos e blogs na internet que se dizem especializados no mercado de ações. “Espalham-se rumores, notícias falsas sobre as empresas, garantindo que elas vão se valorizar muito. E como os preços de muitas ações estão definidos em centavos, o olho de todo mundo cresce, pois não é preciso desembolsar muito”, frisou. O serviço sujo desses sites e blogs fica facilitado porque eles bloqueiam qualquer tentativa de se fazer um alerta contra as operações. Só liberam o que lhes interessa. “Por isso, 99% dos investidores arcam com prejuízos”, assegurou.

Waldir Nobre, superintendente da CVM, admitiu o perigo das “dicas” oriundas de sites ditos especializados. A autarquia, inclusive, já investigou vários deles, com base em denúncias recebidas de investidores lesados. O problema, contou ele, é a dificuldade de se juntarem as provas necessárias para punir os responsáveis. “Morremos na praia em vários casos, pois os computadores originais das ‘dicas’ estavam em cibercafés”, relatou.

Mas há, também, corretores e agentes autônomos de mercado, que representam instituições financeiras, incentivando a corrida por papéis de empresas podres. “O que interessa para eles é gerar negócios, pois o ganho vem de um percentual das operações”, disse Carlos Magalhães. O resultado disso, no seu entender, é a destruição da credibilidade de profissionais sérios, que se recusam a indicais ações dessas companhias a seus clientes, alegando o risco das operações, mas, dois dias depois, os preços sobem 50%. “O conselho sério, ético, vai pelo ralo”, concluiu.

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