"As pessoas devem se preparar, pois não haverá alívio tão cedo nos preços da comida. Os sinais atuais são de aceleração"
Elson Teles, economista-chefe da Máxima Asset Management
Ouça áudio com o pesquisador André Braz, da Fundação Getulio Vargas
Em disparada
Não está fácil para as famílias arcarem com os reajustes da comida
Produtos - Alta em março
Tomate - 48,54%
Laranja-pêra - 14,91%
Ovos - 13,05%
Açúcar refinado - 9,51%
Batata-inglesa - 8,50%
Leite in natura - 6,04%
Leite longa vida - 6,00%
Fonte: IGP-M da FGV
Leite e ovos, os vilões Justificativas não faltam para explicar a alta dos alimentos, especialmente para os vilões da vez, o leite e os ovos. Segundo os especialistas, as vacas passam por um momento de ;entressafra;, produzindo menos leite. Já as galinhas estão no período de mudança de penas, também botando menos ovos. Em março, segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), os preços do leite registraram elevação de 6%, enquanto os ovos encareceram 13,05%. Com isso, os valores de iogurtes, bolos, biscoitos e de outros derivados desses dois itens estão em ritmo de alta. Outro fator a jogar os preços para cima é a quaresma, pois é comum a troca da carne vermelha pela proteína de ovos. Além disso, a fabricação de produtos típicos do período, como a colomba pascal e o chocolate, demandam tanto leite quanto ovos. ;Com a demanda maior por esses produtos e a entressafra, é natural que o consumidor encontre preços maiores;, avaliou André Braz, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para a servidora pública Cláudia Barros, 48 anos, o custo dos ovos está exagerado, principalmente os do tipo caipira. ;No mercado, encontro a dúzia a R$ 6, é um absurdo. Por isso, evito os ovos de granja, prefiro os vendidos em chácara e fazendas. Os preços são melhores e os ovos, mais saudáveis;, argumentou. ;Tanto o ovo quando leite têm subido demais por causa do consumo excessivo. É demanda demais;, ponderou o engenheiro agrônomo Ipérides Leandro Farias, 67anos, que lembrou do aumento do poder aquisitivo do brasileiro e a expansão da classe C no país. ;A mesa dos brasileiros está mais farta, assim como as dispensas;, acrescentou. (VM) Aluguel pode subir 7% O brasileiro que mora de aluguel vai penar, a continuar o atual ritmo de aumento dos preços. Se as projeções dos analistas estiverem corretas, os contratos a serem renovados no início de 2011 deverão ser reajustados em, no mínimo, em 7%. É essa a projeção do mercado para o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) (1)para este ano, usado como referência nas negociações entre locadores e locatários. Mas não é só. Também boa parte das tarifas públicas (energia, transporte urbano e pedágios, por exemplo) acompanha o indicador. Na avaliação dos analistas, o momento é de botar as barbas de molho, pois, mesmo que haja aumento da taxa básica de juros (Selic) em abril, como aposta 100% do mercado, dificilmente a inflação medida pelo IGP-M não vai de desacelerar como o desejado. Os mais pessimistas, por exemplo, não descartam a possibilidade de o índice fechar este ano com alta de até 10%, quadro semelhante ao de 2008, antes do estouro da crise mundial. ;Além da dos alimentos, estamos esperando os reajustes do minério de ferro e do aço. Sendo assim, não há como o IGP-M ficar baixo;, explicou o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles. Os efeitos desse IGP-M alto vão perdurar até o próximo ano. ;Pode ser preocupante para a inflação de 2011, pois esse índice geralmente reajusta contratos de serviços e de aluguel, que se constituem como custos para as empresas e são repassados para os preços de bens e serviços em um cenário de crescimento econômico;, alertou Pedro Raffy Vartanian, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios. (VM) Referência de contratos O IGP-M registra alterações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais e de bens e serviços consumidos pelas famílias. É calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com base em preços pesquisados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. É usado na correção de contratos de aluguel, energia elétrica, TV por assinatura e outros.