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Correio Braziliense

IPI menor continua para queimar estoque


postado em 02/04/2010 08:11 / atualizado em 02/04/2010 08:21

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) acabou, mas as concessionárias anunciam queima de estoque para vender todos os carros adquiridos com desconto de fábrica. A decisão das concessionárias é de manter o benefício por mais algumas semanas, sobretudo para os veículos mais caros, que ainda lotam os pátios. Aqueles que optarem por adiar as compras passarão a arcar com imposto integral de 7% nos carros com motor 1.0. Para os automóveis mais potentes, com motor até 2.0, o tributo chegará a 11%. Animados com o março recorde de vendas, os lojistas não querem nem falar em encalhe.

Na indústria, o ânimo não é diferente. As vendas de veículos comerciais leves, caminhões e ônibus totalizaram, no mês passado, 353.734 unidades, um recorde mensal para a indústria brasileira, que superou as previsões mais otimistas das montadoras (crescimento de 60% sobre fevereiro e de 30% sobre março de 2009). Além da redução do IPI, a indústria automotiva do Brasil está se beneficiando do aumento do emprego e da renda e da oferta maciça de crédito. As concessionárias de Brasília já anunciam o número de carros disponíveis nos estoques a serem vendidos com IPI reduzido. E o movimento nas revendedoras um dia depois da revogação oficial do fim do imposto foi intenso. "Sobrou muito carro no estoque. O desconto continua, porque o IPI reduzido vem da nota de fábrica", disse Alexandre Hoffmann, gerente comercial da Estação Fiat, no SIA, em Brasília. Segundo ele, as vendas cresceram 30% na última quinzena de março e a expectativa é de grande procura em todo o mês de abril. Quem deixou para comprar o carro novo na última hora conseguiu negociar um bom desconto. O microempresário José Ferreira de Souza, 54 anos, contou que esperou até o "finalzinho" para comprar a picape Strada que namorava desde o fim do ano passado. Realizou o sonho ontem à tarde e conseguiu economizar R$ 4 mil. "Vim correndo. Esperei o finalzinho da redução do IPI. Paguei R$ 47 mil pelo carro. Sem o desconto, sairia por R$ 51 mil", afirmou. Aposta até o Dia das Mães O consumidor terá até o Dia das Mães para comprar móveis com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zerado. O prazo de desoneração concedido pelo governo para aliviar os preços dos móveis em pelo menos 10% terminou em 31 de março, mas as lojas decidiram estender o desconto para manter as vendas aquecidas até meados de maio. O governo, no entanto, não tirou os benefícios por completo do setor, pois reduziu, definitivamente, o IPI de 10% para 5%. As revendedoras aproveitaram a medida que zerou o IPI para estocar móveis e manter os descontos até o Dia das Mães, considerada uma das melhores datas para o comércio. A trabalhadora autônoma Cícera Diane Alves, 35 anos, comprou ontem um guarda-roupa novo por R$ 800 e comemorou a economia de R$ 200, ainda no embalo do desconto do IPI zero. "Os móveis ainda estão baratos. Comprei o guarda-roupa e quero voltar ainda este mês para comprar um rack, enquanto os preços não sobem", disse. Gerente da Atlântida Móveis no Centro de Taguatinga, Gilbenor Gerson Sucupira afirmou que o fim do prazo para manter o desconto ainda não provocou reflexo nos preços, mas quando os comerciantes voltarem às fábricas para repor o estoque a situação pode mudar. "Quando vierem as próximas remessas, o preço pode aumentar", frisou. Os lojistas comemoram o sucesso de vendas com o desconto do IPI e afirmam que a facilidade de crédito e a melhora dos índices de inadimplência também favoreceram o setor. A corrida para aproveitar as ofertas aumentou o percentual de vendas em 15% no mês de março, em comparação com fevereiro. Segundo o Ponto Frio e Extra, as vendas no primeiro trimestre de 2010 aumentaram 70% em relação ao mesmo período do ano passado.

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