Publicidade

Correio Braziliense

Preços de remédios pela hora da morte


postado em 02/04/2010 08:17

Comprar remédios tornou-se um tormento. Não sem motivo. Os preços desses produtos no Brasil estão entre os mais altos do mundo. Em uma comparação com nove nações feita pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o país ficou atrás somente dos Estados Unidos, onde quase 70% de todos os medicamentos com patente são mais caros do que no restante do planeta. A situação só não está pior por aqui graças à entrada dos genéricos no mercado. Não fossem esse produtos, os valores por aqui seriam semelhantes aos arcados pelos norte-americanos.

Entre os países pesquisados, os remédios mais baratos são comercializados na Austrália. Lá, o remédio Pegasys, para combater a hepatite C, doença que aflige 3 milhões de brasileiros, custa R$ 526,21. No Brasil, o produto, 115,7% mais caro, é encontrado por R$1.135,40. Até mesmo medicamentos mais simples, como a pomada Elocom, para doenças inflamatórias na pele, estão pela hora da morte por aqui. Enquanto na Espanha custa R$ 7,58, no mercado brasileiro é vendido a R$ 18,45 - uma diferença de 143,4%. O Brasil só não ocupa o posto de país com os remédios mais caros da lista da Anvisa porque, além dos genéricos, uma resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos definiu, em 2004, diretrizes para o cálculo de preços e colaborou para a redução dos custos. Até aquele ano, apenas 12,7% dos remédios com patente (direito de controle sobre as fórmulas) ofertados no país tinham preços menores que em outras nações. Hoje, esse volume subiu para 51,5%. "A resolução nos obriga a ter preços mais baixos do que nos demais países pesquisados. A tendência, quando se tem o produto genérico, é ir baixando preço. Até mesmo os que ainda têm patentes precisam reduzir os valores para não perder mercado", explicou o chefe de Regulação Econômica da Anvisa, Pedro Bernardo. Desconfiança Ainda assim, o valor dos medicamentos assusta. "O original é muito caro. Mesmo quando o médico não receita o genérico, eu sempre olho na farmácia se tem dele. Não vejo nenhum problema, tenho confiança que o fabricante faz tudo certo", disse o profissional de serviços gerais José Renilfer, 39 anos. Hoje, com o aumento da confiança do consumidor, o mercado de genéricos representa 7,62% do faturamento dos laboratórios e 13,23% do que a população gasta com medicamentos. Os produtos que ainda têm patente são apenas 0,99% de tudo que é vendido no país, mas o faturamento dos fabricantes chega a 10,74% - o que indica que os preços ainda são muito elevados para os produtos patenteados. "Nem me preocupo em pesquisar, o original nunca é mais barato", emendou Renilfer. A Anvisa fez a pesquisa de preços que o profissional de serviços gerais deixou de lado. De acordo com a tabela da agência, o custo médio dos genéricos no Brasil está em R$ 4,60; os com patente, em R$ 104,38 - quase R$ 100 mais caro. Mas, fora da lista, a diferença para um mesmo produto é menor, varia de 30% a 40%. Ainda assim, é preciso pesquisar. Um remédio genérico para dor de cabeça, em cinco farmácias diferentes de Brasília, foi encontrado por até R$ 5 de diferença. Em uma farmácia do Conic e em outra da 102 Sul, o original estava mais barato que o genérico. Para José Luís Martins, diretor de Operações Técnicas do segundo maior laboratório de genéricos do mundo, o Sandoz, o Brasil tem dois problemas em relação a custos: o primeiro é a carga tributária elevada; o segundo, o fato de brasileiros não terem subvenção para remédios. "O mercado de genéricos cresce entre 15% e 17% ao ano e essa expansão está trazendo uma dinâmica de preços diferente. O original está precisando se adequar e reduzir custos", disse.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade