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Correio Braziliense

Indústria prevê onda de reajustes


postado em 08/04/2010 08:40

O aviso veio direto da indústria. Com o reajuste de 90% do minério de ferro anunciado neste mês pela Vale, o consequente reajuste do aço e o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os consumidores vão arcar com o encarecimento de vários produtos, de eletrodomésticos a carros. As novas tabelas de preços que serão repassadas ao varejo já estão sendo confeccionadas e vão se somar à disparada do custo dos alimentos.

Essa indicação foi dada pelo economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, e confirma os temores manifestados pelo Banco Central de riscos de descompasso entre a oferta e a demanda, um perigo para a inflação. Não é à toa, portanto, que um número maior de analistas passou a admitir que a alta da taxa básica de juros (Selic) no fim deste mês será maior do que a imaginada anteriormente - 0,75 em vez de 0,5 ponto percentual. Castelo Branco admitiu que os preços industriais mais altos tenderão a conter as vendas do setor. Mas ponderou que não há outra alternativa, já que a indústria está arcando com custos mais altos de matérias-primas e insumos e o governo acabou com os incentivos tributários adotados no auge da crise mundial. "A retomada da tributação poderá levar a ajustes de preços para cima e gerar impacto na demanda. Se o preço (de bens duráveis, como carros, geladeiras, máquinas de lavar e de fogões) caiu com a retirada da tributação, é razoável supor que, agora, haverá aumento", afirmou. Em fevereiro, o faturamento das indústrias aumentou 3,3% na comparação com janeiro e 11,3% frente a igual mês do ano passado, período ainda sob forte efeito da crise global. O indicador das horas trabalhadas avançou 1% frente a janeiro e 5,3% em relação fevereiro de 2009. Sob essa mesma base de comparação, o emprego teve variação positiva de 0,9% e 2,8%, respectivamente. Ociosidade A utilização da capacidade instalada, um dos indicadores avaliados pelo BC para analisar a relação da oferta com a demanda, atingiu 80,4% em fevereiro, estável frente a janeiro e 2,2 pontos percentuais superior a fevereiro de 2009. Para Castelo Branco, contudo, essa evolução não indica pressão na oferta (risco de faltar mercadorias), porque o uso do parque fabril ainda está inferior aos níveis anteriores à crise. Por outro lado, o economista destacou que a redução da ociosidade nas fábricas é um fator de estímulo aos investimentos. "Parece que há uma síndrome de que a redução na ociosidade das indústrias não é adequada. É também por meio da redução dessa ociosidade que há estímulo ao investimento", afirmou. Na avaliação do economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles, a tendência de elevação dos preços industriais em decorrência do reajuste do minério de ferro e do aço e do aumento da tributação sobre bens duráveis fortalece a indicação de que o BC iniciará, em 28 deste mês, um processo de alta gradual na taxa Selic, fixada em 8,75% ao ano. "Os sinais emitidos por meio da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e do relatório trimestral de inflação são de alta. A questão, agora, é quanto: se de 0,5 ponto percentual ou se de 0,75 ponto. O aumento dependerá de outras informações, como a do IPCA e a do IGP-DI de março, e do comportamento das expectativas de inflação até a próxima reunião do Copom", disse. Teles ressaltou que se as expectativas de inflação, traçadas pelos analistas de mercado e consolidadas no boletim Focus do BC, continuarem piorando, a tendência da alta da Selic será de 0,75 ponto. Efeito cascata O primeiro impacto no setor industrial do aumento de 90% no valor do minério de ferro começará pelas siderúrgicas, que usam a matéria-prima como para a produção de chapas laminadas. Essas chapas são o insumo usado na fabricação de máquinas e equipamentos e de carros, geladeira, fogões e lavadoras.

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