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Correio Braziliense

Parte da Europa enfrenta recessão


postado em 22/04/2010 08:09

Embora o mundo esteja se recuperando da crise global, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para as incertezas e os riscos que ainda rondam muitos países nesse momento. A maior parte deles decorre das fragilidades fiscais de alguns países e do próprio sistema financeiro, que pode ser contaminado pelo aumento acelerado da dívida pública e da deterioração dos orçamentos.

"Nós nos encontramos em uma nova e importante fase da crise", disse o diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, Olivier Blanchard. "Uma depressão global foi evitada. A economia mundial está se recuperando, e se recuperando melhor do que havíamos previsto". Mas ele ressaltou que, para haver um crescimento forte, sustentado e equilibrado será necessário mais trabalho, especialmente para o ajuste fiscal nos países avançados, para a correção das taxas de câmbio e para um reequilíbrio da demanda em todo o mundo.

O Fundo alertou para a grande diferença no ritmo de recuperação das economias europeias. Nas mais desenvolvidas, a velocidade está sendo puxada pelos estímulos macroeconômicos, embora o consumo privado ainda se ressinta da crise. "Ao mesmo tempo, os desequilíbrios fiscais e nas contas-correntes (com o exterior) ameaçam a recuperação de alguns dos menores países europeus, com potencial de espalhar seus efeitos sobre o resto da região", destacou Blanchard.

Zona do Euro

Apesar do alerta, o FMI manteve em 1% a previsão de crescimento econômico da Zona do Euro para 2010, mas ressaltou que as diferenças entre os 16 países-membros são notórias. Grécia, Espanha e Irlanda permanecerão em recessão neste ano, enquanto os demais sócios terão um Produto Interno Bruto (PIB) em alta, mas com uma recuperação lenta. "Diversas forças travam o crescimento na Europa", destacou o FMI em documento divulgado ontem, citando em primeiro lugar a crise grega.

Para o Fundo, as preocupações dos mercados com a solvência financeira da Grécia, país que enfrenta deficit orçamentário e dívida pública de grandes extensões, embutem "o risco, caso não sejam controlados, de se transformar em uma crise em todo o sentido da palavra", que será "contagiosa".

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