São Paulo - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou hoje (28) o aumento da taxa básica de juros (Selic) em 9,5% pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Por meio de nota, a entidade perguntou. ;a quem interessa segurar o crescimento do Brasil?;. Ela também questionou a competência e autonomia do Banco Central (BC), afirmando que o banco estaria ;atendendo a interesses de poucos em detrimento de muitos;.
Segundo a Fiesp, que defendia a manutenção da taxa, o aumento na Selic mostrou um BC ;acuado, refém de certos setores do mercado e cada vez mais distante dos interesses maiores da sociedade e do país;.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) considerou a alta da Selic precipitada, inócua e conservadora. A entidade ressaltou que a medida vai frear o bom consumo interno do país .
;O país precisa equilibrar a retomada do consumo doméstico com o aumento de investimentos produtivos. A política monetária conservadora tende a ser um forte obstáculo a este objetivo, além de encarecer o crédito, que permitiu ao mercado interno passar pela turbulência internacional sem grandes percalços;, afirmou, em nota, Abram Szajman, presidente da Fecomercio-SP.
Para o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, a decisão do Copom é contraditória em comparação ao cenário mundial.
;O caso brasileiro mostra um paradoxo. Enquanto alguns países importantes da Europa passam por uma onda de descrédito e outras nações desenvolvidas lutam para encontrar instrumentos que tragam estabilidade e crescimento econômico, o Brasil, que vive uma fase de expansão da economia, decide adotar medidas de contenção dessa expansão com aumento dos juros como forma de conter o crescimento e assim controlar a inflação;, afirmou Godoy, por meio de nota.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, considerou a decisão do Copom ;equivocada e perversa para com o setor produtivo; . Ele lamentou o aumento da Selic afirmando que o Brasil está ;virando um paraíso para os especuladores do mundo inteiro;, disse por meio de nota.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, disse não haver motivo que justifique o aumento da taxa de juros. Ele também culpou ;os especuladores; pela medida. Para o presidente da CUT, o preço pelo aumento será pago pelos trabalhadores, ;seja pela diminuição dos investimentos de parte do setor produtivo, atraído pela especulação, seja pela elevação do custo dos empréstimos ou do endividamento já existente;.