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Correio Braziliense VIDA MODERNA

Nada é mais como era antigamente

Consumidor muda hábitos. Pelo menos 16 novas tendências surgem no horizonte e empresas terão de se adaptar


postado em 23/05/2010 11:11 / atualizado em 23/05/2010 11:17

O consumo já não é mais como era e, no futuro, terá características ainda mais diferentes. Junto com serviços e produtos feitos para agradar a todos os gostos, idades e perfis, as empresas agora se preparam para atender o mercado de acordo com o modo de vida, a cultura e a faixa etária das pessoas. E não se trata apenas de variações de cores e de formato de um mesmo produto. O que está a caminho é uma revolução que deve mudar a cara das lojas e a própria maneira como os consumidores comprarão daqui para a frente. De olho nos lucros, os empresários observam cada segmento em escala global e percebem que a venda para mulheres, gays, idosos, solteiros e os chamados novos ricos pode ser maior que o tamanho das economias de muitos países industrializados.

O caso do consumo feminino é emblemático. Estima-se que, neste ano, as famílias brasileiras devam gastar R$ 2,2 trilhões, sendo que quase a metade disso — R$ 1 trilhão — será representada por dispêndios das mulheres. O consumo dos lares responde por cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas em um ano. No mundo todo, as mulheres devem movimentar cerca de US$ 12 trilhões, quase o mesmo valor da economia dos Estados Unidos (US$ 14,2 trilhões) e maior do que a soma dos outros três maiores PIBs do mundo: Japão (US$ 5 trilhões), China (US$ 4,7 trilhões) e Alemanha (US$ 3,2 trilhões).

No último ano, o instituto alemão GfK foi a campo pesquisar essa e outras tendências de consumo nos cinco continentes e entrevistou 30 mil consumidores, em 32 países. O estudo, ao qual o Correio teve acesso, traça um roteiro dos comportamentos e desejos que vão impulsionar toda a atividade econômica mundial. O instituto observou 16 aspectos (veja quadro nesta página) que, aos poucos, vêm obrigando indústria e comércio a repensarem estratégias sustentadas por bilhões de investimentos em marketing, propaganda e promoção.

Basta prestar atenção nos shopping centers ou nas gôndolas dos supermercados brasileiros para perceber essa mudança silenciosa impulsionada pelas mulheres, pelos idosos, pelos jovens da geração da internet e pela nova classe média — pelo menos 30 milhões ascenderam socialmente nos últimos seis anos. Com eles, emerge também uma preocupação com o consumo sustentável, a qualidade dos produtos e serviços, o bem-estar e, principalmente, com a saúde física. Não é à toa que surgiu no mercado uma profusão de marcas de produtos mais sofisticados, (os chamados premiuns), ecológicos e até margarinas que reduzem o colesterol.

Experiências

A psicóloga Fernanda Pelosi, 43 anos, se encaixa em diversas tendências de consumo observadas pela empresa alemã: com renda própria, vive sozinha e deixa clara a sua preocupação com a qualidade de vida e com a saúde. Ela decidiu dar uma guinada em seu modo de vida. Abriu um consultório perto de seu apartamento, na 207 Sul, e substituiu o consumo de bens para o que ela mesma chama de “consumo de experiências”. Com isso, trocou o carro cheio de potência e tecnologia por um modelo popular. Também reservou as manhãs para cuidar de si na mais cara academia da cidade. “Descobri que a felicidade é o melhor consumo do mundo”, conta.

As mudanças não significam que as mulheres tenham deixado de viver o lado consumista exemplificado no filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, no qual a personagem se transforma em uma caricatura do público feminino obcecado por sapatos, bolsas e roupas. “Pago as prestações de meu carro e do meu apartamento e a mensalidade da academia. Tudo isso é investimento. Agora, admito que não resisto a comprar sapatos. É minha única extravagância”, afirma Dulce Maria Rodrigues da Silva, 45 anos, solteira, servidora do Tribunal Superior do Trabalho e moradora da Octogonal.

 

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