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Correio Braziliense

Construção registra recorde


postado em 09/06/2010 07:25 / atualizado em 09/06/2010 07:49

» Luciano Pires
» Vânia Cristino
» Letícia Nobre


A construção civil teve o melhor início de ano de sua história. Impulsionado pelo aumento do crédito imobiliário e pela grande oferta de vagas de trabalho, o setor cresceu nada menos do que 14,9% no primeiro trimestre de 2010 frente ao mesmo período de 2009 — recorde absoluto da série de pesquisas iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1995. Ainda que o índice esteja bem acima da taxa de crescimento do país, governo e empresas do ramo acreditam que é possível ver números superiores a esse nos próximos meses.

A trajetória ascendente da construção civil está fortemente ligada aos juros. Com a expectativa de que o Banco Central não elevará tanto a taxa Selic nos próximos meses, as previsões são de trimestres igualmente positivos até o fim de 2010. Portanto, para aproveitar os bons ventos da economia — estimulados pelos incremento da renda do brasileiro e pelos programas de incentivo à construção de casas populares —, o segmento habitacional ampliou os projetos, ajudando a puxar a taxa de investimento para cima, ao intensificar as compras de máquinas e equipamentos.

Um exemplo do dinamismo do setor vem da construtora Apex Engenharia, especializada em projetos habitacionais voltados para as famílias com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 2,3 mil e localizados nas cidades do Entorno de Brasília, principalmente Samambaia. O gerente comercial da empresa, João Paulo Santos Miranda, disse que, no ano passado, a empresa lançou um empreendimento durante o Feirão da Caixa Econômica Federal. Neste ano, foram três projetos, que já estão com 70% das unidades vendidas. “É só anunciar e vender”, disse.

Vagas triplicam
Miranda contou que a construtora teve que aumentar o número de empregados para dar conta da demanda, inclusive com a contratação de vários terceirizados. Ele também admitiu que, para muitas atividades, já existe falta de mão de obra especializada. “Não está nada fácil encontrar profissionais com formação adequada para o serviço”, disse. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostram um crescimento contínuo do setor. De janeiro a abril de 2010, o saldo líquido na construção civil foi positivo em 166.112 novos postos de trabalho, resultado 3,8 vezes maior do que o computado no mesmo período do ano passado (43.677).

Os fabricantes de cimento estão animados com o desempenho da economia e alimentam uma boa expectativa para o surgimento de novos empreendimentos imobiliários. “O forte aumento do PIB (Produto Interno Bruto) se justifica por causa das carências que o Brasil tem. Como fez o dever de casa, consolidando a estabilidade macroeconômica e aumentando o poder de compra da população, o avanço da construção civil se tornou sustentável”, disse o gerente nacional de Mercado da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Valter Frigieri. Para ele, o segmento está “muito colado” à conjuntura. Por isso, é inevitável que esteja aquecido agora.

Na avaliação da gerente de marketing da Votorantim Cimentos, Julie Ann Gueddes, o crescimento da construção civil vai continuar “firme”. “O aumento da oferta de crédito provocou um maior interesse e mais segurança para investir em imóveis por parte da população”, afirmou.

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