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Correio Braziliense

Reino Unido recebe alerta

Deficit orçamentário "desafiador" leva agência de avaliação de risco Fitch a estudar o rebaixamento da nota da Grã-Bretanha. Ameaça é feita um dia após o anúncio de cortes na Alemanha


postado em 09/06/2010 07:52 / atualizado em 09/06/2010 09:14

Mercados tomaram rumos distintos ontem. Na Europa, quedas refletiram avaliação da dívida britânica(foto: YOSHIKAZU TSUNO )
Mercados tomaram rumos distintos ontem. Na Europa, quedas refletiram avaliação da dívida britânica (foto: YOSHIKAZU TSUNO )
A crise fiscal pela qual passam os países da Zona do Euro respingou ontem no Reino Unido após a agência de avaliação de risco Fitch Ratings ter ameaçado retirar a classificação “AAA” dada aos britânicos. O organismo classificou como enorme o desafio enfrentado pela Grã-Bretanha na gestão do seu deficit, que justificaria uma forte estratégia de consolidação em médio prazo. O anúncio impôs uma leve baixa às bolsas europeias — queda de 0,81% em Londres, de 0,98% em Paris e de 0,62% em Frankfurt —, mas não foi suficiente para manter a sequência de baixas em São Paulo e em Nova York.

No Brasil, o mercado reagiu positivamente diante da confirmação do crescimento de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2009 e de 2,7% em relação ao último trimestre do ano passado. Mas, curiosamente, a recuperação da Bovespa — alta de 1,1%, aos 61.855 pontos — acompanhou também o resultado positivo do mercado norte-americano — alta de 1,26% do índice Dow Jones —, que respondeu favoravelmente às declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, sobre a recuperação europeia.

Segundo depoimento de Bernanke à rede BBC News, os líderes europeus estão comprometidos em assegurar a sobrevivência do euro e contam com recursos suficientes para cumprir as obrigações de países altamente endividados da região. Para Bernanke, o pacote de estabilização de quase 1 trilhão de euros é “bastante dinheiro” para proteger Grécia, Portugal e Espanha dos voláteis mercados de crédito por muitos anos. “A liderança europeia está fortemente comprometida em fazer o que for necessário para preservar o euro, a Zona do Euro, o projeto europeu e evitar problemas financeiros.”

Todavia, o presidente do Fed reconheceu que os investidores ainda não estão convencidos de que os problemas de dívida da região serão resolvidos e que mais dinheiro poderá ser necessário para a solução dos deficits fiscais. Já a agência Fitch, um dia depois do anúncio da Alemanha em reduzir em 86 milhões de euros seus gastos públicos até 2014, evocou o exemplo para criticar a Grã-Bretanha. “Com outros países europeus fortalecendo seus planos de consolidação fiscal e mais preocupações com o risco soberano em países avançados, tanto o tamanho do deficit do Reino Unido atualmente projetado para 2011 quanto o fracasso de reduzi-lo para 3% do PIB em cinco anos afligem”, disse, em comunicado.

Bernanke também voltou a prever a continuidade da recuperação da economia dos EUA, mas disse que o ritmo será insuficiente para reduzir o desemprego.

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